Para o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), que é diretor do Instituto Ambiental Vidágua, as pessoas que apresentam chumbo no organismo, mesmo que a concentração não esteja acima do tolerável, precisam de tratamento medicamentoso. Das 30 crianças que moram perto da fábrica de baterias e foram submetidas a exames, 25 apresentaram o metal no sangue.
Das 25 crianças, quatro apresentaram concentração do metal acima de 10 microgramas por decilitro de sangue, índice que é considerado tolerável. Uma delas chegou a 27 microgramas por decilitro de sangue. Porém, na avaliação das secretarias municipal e estadual de Saúde, a quantidade do metal no sangue dessas crianças não é muito alta, o que as dispensaria de passar por tratamento médico.
Na ocasião da divulgação dos resultados dos exames, Márcia Monti, diretora da Vigilância Epidemiológica da Direção Regional de Saúde (DIR), explicou que o tratamento medicamentoso, por causar efeitos colaterais, e é recomendado apenas em casos de que a concentração de chumbo é acima de 45 microgramas por decilitro de sangue. Mas Rodrigo afirma que existem outros meios de tratamento que não causam dano ao paciente.
A partir da constatação de que pelo menos quatro crianças estão com concentração de chumbo acima do tolerável, o raio de pesquisa foi ampliado. As secretarias estadual e municipal de Saúde estão coletando sangue de crianças de até 12 anos e mulheres grávidas que moram perto da fábrica. Também foram coletados para análise água e verduras nas proximidades da indústria, assim como leite de uma vaca criada na redondeza.
A água já foi analisada e a conclusão do Instituto Adolfo Lutz foi de que não está contaminada. O acúmulo de chumbo no organismo causa uma doença chamada saturnismo. Os sintomas da doença são anorexia, vômito, convulsão, dano cerebral permanente e lesão renal irreversível.
Segundo dados do Vidágua, graças à terapia de quelação, a mortalidade dos contaminados por chumbo atualmente é de aproximadamente 5% embora 25% dos sobreviventes desenvolvam lesão cerebral permanente.