É de causar perplexidade a audácia de “grileiros†que estão ocupando ilegalmente as terras do Horto Florestal, em Bauru, pertencentes ao patrimônio do Estado. É importante lembrar que o saudoso governador Mário Covas assinou um decreto destinando aquela área à reforma agrária e, para a nossa surpresa, há denúncias de que grileiros estão instalados no Horto. Fomos até o local conferir as denúncias e constatamos que boa parte dos 2.240 alqueires pertencentes ao patrimônio público está, de fato, ocupada por pessoas que se dizem proprietárias das terras.
É uma vergonha o que está ocorrendo no Horto Florestal. Estão vendendo madeira e derrubando árvores de área estatal.
Levamos o caso à Procuradoria Geral do Estado e relatamos essa imoralidade no plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde defendemos a instalação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – para investigar este e outros possíveis casos de grilagem no Estado. Além do Horto Florestal de Bauru, existem denúncias similares em áreas públicas nos municípios de Iaras e Sorocaba.
Diante desse quadro, faço um apelo à Justiça para que tome as devidas providências em relação ao assunto. São mais de 2 mil alqueires de terra boa, quase dentro de Bauru. E com tanta gente precisando de terra, para produzir ou para morar, não podemos nos submeter aos grileiros, que hoje são uma verdadeira máfia no Estado. Temos o dever moral e social de defender o patrimônio público. Por isso apelo às autoridades competentes (à Procuradoria da Justiça do Estado, à Polícia, ao Instituto de Terras do Estado e ao Poder Judiciário) para que tomem providências urgentes sobre o caso. Afinal, não podemos assistir passivamente grileiros se apossando ilegalmente de áreas do Estado enquanto muitas pessoas brigam para tomar um pedaço de terra para produzir e para viver com dignidade.
(*) O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual pelo PSDB