Polícia

Furto de cheques leva clientes à polícia

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O furto de inúmeros talões de cheques ocorrido durante a reforma do prédio da agência Rio Branco do Banespa está causando problemas para os correntistas do banco. Segundo um cliente da agência, o Banespa não avisou as vítimas. Na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru há pelo menos cinco boletins de ocorrência relacionados com o caso.

Em função do furto, já foi efetuado um flagrante de estelionato. A Diretoria de Relações com a Imprensa do Grupo Santander/Banespa informa que a agência irá avaliar os casos de clientes que tenham cheques emitidos indevidamente. Se comprovada a fraude, a diretora garante que haverá o ressarcimento, sem que isso implique em prejuízo no saldo da conta-corrente.

O correntista que procurou o JC, que não quis ser identificado, conta que está enfrentando uma série de problemas porque um talão de cheques em seu nome foi levado por ladrões. “Só fiquei sabendo quando um funcionário do banco me ligou para falar sobre um cheque que havia caído, sendo que eu nem pego mais talão. Fizeram compras com os cheques e estou sendo procurado pelos comerciantes”, explica.

Revoltado com a situação, o cliente do banco foi até a agência para saber o que estava acontecendo. “Eles disseram que não sabem quantos e nem de quem eram os talões que foram levados pelos ladrões. Eu achei absurda a situação”, relata.

O correntista acha que a agência deveria ter divulgado uma nota na Imprensa sobre o furto, para que comerciantes e correntistas não sejam prejudicados. “Eles deveriam ter colocado no jornal. Acho que eles não fizeram isso para não comprometer o nome da instituição. Nós, correntistas, é que estamos pagando por uma falta de cuidado deles”, afirma.

O cliente do Banespa explica que teve problemas com as contas em débito automático por causa do cheque furtado. “Tenho contas de energia elétrica e outras em débito automático. Quando elas caíram, minha conta não tinha créditos porque um cheque havia sido compensado naquele dia. Eles (banco) estornaram o valor, mas no dia seguinte”, reclama.

Insatisfeito com a posição do banco, o correntista procurou o órgão de defesa do consumidor, o Procon, e registrou sua queixa. Segundo o coordenador do Procon, Sílvio Orti, há uma audiência com o banco marcada para o dia 21 de maio para tratar do assunto. “Foi registrada uma queixa e está agendada uma audiência com o banco e o reclamante”, conta. Para Orti, o banco deve ser responsabilizado pela conseqüência do furto do talão de cheques. “No meu entender, há uma relação de consumo entre o correntista e a agência bancária”, diz.

DIG quer informações

O titular da DIG, o delegado J.J. Cardia, explica que o Banespa não informou quantos e nem de quem eram os talões que foram furtados. Cardia diz que o banco já foi oficiado para entregar a relação dos talões levados pelos ladrões. “Eles têm que informar não só isso, mas também a relação de quem estava trabalhando na obra quando o crime aconteceu”, diz.

De acordo com ele, o furto foi registrado no dia 4 de março, mas teria ocorrido uma semana antes. “O banco estava em reforma e o cadeado do local onde estavam armazenados os talões foi estourado. Levaram os talões, mas não sabemos quantos”, ressalta o delegado.

No dia 13 de março, segundo o delegado, Clésio Pascoal Neves foi autuado em flagrante em um estabelecimento comercial de Bauru. “Ele tinha um talão de cheques com os dados do correntista. Falsificou um documento e fez compras em nome do cliente. Foi preso e encaminhado para a Cadeia Pública de Bauru.”

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