Saúde

Traumatismo de crânio cresce 246% e já é recorde

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 2 min

O Traumatismo Craniencefálico (TCE), ou seja, qualquer tipo de choque ou pancada na cabeça, acompanha a humanidade desde os seus primórdios. A incidência do problema aumenta paralelamente ao desenvolvimento tecnológico e a modernização da sociedade. Uma pesquisa feita pelo Hospital de Base (HB) em Bauru revelou que o número de pessoas com traumas craniencefálicos aumentou 246% de 2000 para 2001.

Atualmente, o chamado TCE já é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública. Nos Estados Unidos é a terceira causa mais comum de morte. Só perde para doenças cardiovasculares e o câncer. No Brasil, não existem dados estatísticos sobre o assunto.

De acordo com a OMS, os jovens são as maiores vítimas do traumatismo craniencefálico. Cerca de 500 mil pessoas por ano sofrem deste tipo de trauma somente nos Estados Unidos. Cerca de 10% desses doentes morrem antes de chegar ao hospital. Dos que recebem cuidados médicos, 80% podem ser classificados como leves, 10% como moderados e 10% como graves.

A cada ano, também nos Estados Unidos, mais de 100 mil vítimas desse tipo de trauma sofrem com graus variados de invalidez.

Tratamento

O tratamento clínico para o traumatismo de crânio, de acordo com os especialistas, ainda é controvérsia nos grandes centros médicos do mundo. A base para a ação do tratamento depende se as lesões cerebrais são primárias ou secundárias. As primárias representam os efeitos imediatos ou irreversíveis da dissipação de energia dentro da substância cerebral. A vasta maioria desses fenômenos ocorre durante o impacto ou na penetração do trauma.

As lesões primárias são compreendidas mais facilmente quando podem ser separadas em focais (hematoma, contusão, laceração e hemorragia) ou difusas (hemorragias múltiplas, inchaço cerebral, disfunção transitória, confusão, amnésia e inconsciência). Ainda existe a lesão axonal persistente (inconsciência longa e lesão axonal difusa). Há uma forte evidência de que as lesões primárias podem ocorrer algum tempo após o trauma, cerca de horas. São conhecidas como lesões primárias tardias.

Depois desses problemas, começa uma série de reações, algumas causam aceleração ou aumento da lesão celular inicial e outras resultam em novas lesões. Esse "efeito dominó" causa as lesões cerebrais secundárias, que podem se desenvolver de várias formas.

A medicina preventiva é de importância única e insubstituível. O traumatismo crani-encefálico, por ser a primeira causa de morbidade e mortalidade mundial, merece atenção especial nesse aspecto.

Mais importante do que os cuidados com os primeiros socorros, é reduzir a incidência do problema. Essa conscientização só virá através de campanhas de educação no trânsito e programas sobre a gravidade do trauma de crânio, como a iniciativa lançada pelos médicos do Hospital de Base em Bauru.

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