Não devemos pensar que só os políticos são responsáveis pelo bem comum. Todos temos a obrigação de promover condições dignas de vida para nossos irmãos. Aprendemos com Jesus a amar, respeitar e fazer o bem a todos. Auxiliar uma pessoa necessitada é sempre prova de amor fraterno. Assim, procuramos repartir o pão com quem tem fome, oferecer agasalho aos carentes, conseguir trabalho para os desempregados, cuidar dos doentes, visitar e ajudar os detentos e prestar tantos outros serviços de verdadeira caridade. Com zelo do bem espiritual, rezamos pela salvação eterna dos irmãos, solícitos em dizer-lhes uma palavra que os aproxime de Deus e da prática da vida cristã. Temos, no entanto, que pedir a Deus que nos ilumine sobre nossa responsabilidade política. As reflexões da Campanha da Fraternidade de 1996 nos ajudaram a abrir os olhos para perceber melhor o nosso compromisso não só com quem está perto de nós e precisa de nosso auxílio, mas com a elaboração de leis justas e o bom desempenho dos que exercem um mandato político.
O compromisso do amor cristão nos leva a assumir, de modo mais coerente, o exercício da cidadania. O amor fraterno que Jesus Cristo nos ensina, faz-nos crescer no anseio de praticar o bem sempre maior e transformar as estruturas que causam a fome, a desnutrição e a exclusão social. É mais forte a caridade de quem se empenha para aperfeiçoar as leis de modo a garantir o trabalho e a distribuição da terra e do solo urbano, do que a caridade de quem apenas socorre alguns necessitados. Eis aí uma lição que vamos, aos poucos, aprendendo: a de nos reunirmos em comunidade, para refletir sobre as situações do povo e procurar, juntos, as soluções possíveis. Graças a Deus, vai crescendo a conscientização em nossas comunidades e a capacidade de organização para conhecer e promover os direitos do cidadão, a começar dos mais necessitados. É extremamente necessário que compreendamos a obrigação de cada cristão de assumir com maior consciência sua responsabilidade na promoção do bem comum. Isto significa que todos somos chamados a levar a sério as próximas eleições, porque da escolha de candidatos honestos e competentes há de resultar um grande benefício para nosso povo. O presidente, governadores, senadores e deputados, quando se sentem solidários com os anseios do povo e sabem assegurar a participação das comunidades, são capazes de melhorar muito a saúde, a moradia, o trabalho e a educação para que todos tenham condições dignas de vida. Ao rezarmos o Pai-Nosso, rogamos que o reino de Deus venha a nós. Estamos pedindo as graças necessárias para que possamos realizar o projeto de Deus, concernente a uma sociedade solidária e fraterna, como anúncio do reino definitivo. Da colaboração responsável de cada um de nós e da nossa união dependem a vida digna e a felicidade de nossos irmãos. (Grupo de Cidadania Paróquia Nossa Senhora das Graças)