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Apelo angustiante de Arafat

(*) Neta Golan
| Tempo de leitura: 2 min

Não foram as ações israelenses que surpreenderam os pacifistas internacionais sitiados no edifício presidencial de Yasser Arafat. É a tímida resposta da comunidade internacional o que mais assusta. Dentro do edifício crivado de balas, cercado pelos tanques israelenses e na mira dos franco-atiradores, todos que aqui estamos temos uma só pergunta: quantas outras leis internacionais Israel ainda deve violar para que a comunidade internacional comece a pressionar por uma imediata e completa retirada das tropas israelenses?

A legislação internacional proíbe absolutamente a construção de assentamentos em território palestino, mas só neste ano foram construídos 34 novos assentamentos. O castigo coletivo é ilegal. Mas Israel executa agora uma escalada ao interromper o fornecimento de víveres e cortar por completo a água na cidade palestina de Ramallah, o que coloca em perigo a vida de 120 mil pessoas. O bombardeio e a destruição de inofensivas estruturas civis palestinas, incluindo usinas de energia elétrica, escolas e estações de tratamento de esgoto, é coisa de todos os dias. Civis desarmados estão sendo assassinados diariamente.

Israel está pouco ligando para a Quarta Convenção de Genebra, o documento legal básico da lei internacional sobre direitos humanos. Ao aceitar tacitamente essa atitude de Israel, as Nações Unidas estão minando seriamente sua credibilidade na região, e mais além dela. Nós, que estamos dentro do complexo presidencial da Autoridade Palestina, necessitamos desesperadamente de ajuda.

É essencial a pressão externa, ainda que seja apenas na pressão pessoa a pessoa. Os boicotes e as cartas às autoridades e aos meios de comunicação também ajudam. A presença de “escudos humanos” ao longo dos territórios palestinos ocupados por Israel foi muito importante para limitar a natureza indiscriminada das ações militares israelenses. Mas é fundamental, antes de tudo, a exigência internacional de retirada total das tropas de Israel para as fronteiras reconhecidas em 1967 pelas Nações Unidas e para que se restaure a calma e se abra o caminho para as negociações de paz. Só então se poderá discutir o estatuto de Jerusalém e a situação dos refugiados palestinos.

Não somos somente nós, palestinos e estrangeiros, que estamos dentro do edifício presidencial, que fazemos apelo para uma retirada completa das forças israelenses. Inclusive setores militares israelenses sugeriram esta opção como única oportunidade para a paz e a segurança para o povo israelense. Em uma formal “Carta de rejeição” para Ariel Sharon, centenas de soldados israelenses, a maioria deles com experiência de combate, defendem uma retirada total e manifestam sua renúncia em servir na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza. Sharon não quer ouvir. Entretanto, nós que estamos no edifício da Autoridade Palestina de Ramallah continuamos perguntando se a comunidade internacional permitirá a ampliação permanente de uma já ilegal ocupação.

(*) Neta Golan é israelense e está entre os 40 observadores pacifistas internacionais que se encontram no sitiado escritório presidencial de Arafat

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