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Quem não precisa chorar?


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Surpreendeu à enorme galera que sempre acompanha de pertinho os acontecimentos do futebol brasileiro, a forma comovente com a qual Romário reagiu ao desprezo com que - entende ele - tem sido tratado pelo técnico Felipão.

O craque foi à mídia, disse claramente da sua imensa tristeza por continuar sendo excluído do grupo integrante da pré-seleção e chorou amargamente, colocando à mostra lágrimas que a Televisão de jeito nenhum conseguiria eclipsar inteiramente, apagando-a da sua telinha.

Não esperava a platéia do grande jogador, que, tido como absorvedor contumaz de altos rendimentos financeiros provenientes de sua profissão, pudesse ser ele também um homem dotado de sentimentos humanos capazes de induzí-lo ao desconforto íntimo, qual seja aquilo que ele considera fruto de um injustificável desprezo desumano.

Acontece, minha gente, que todos nós, inclusive ricos e famosos, somos depositários de um lençol de lágrimas nos olhos e de fortes sentimentos nos corações. Fomos “inventados” nesse estilo pelo Criador dos seres e assim teremos de continuar por toda a vida, curta ou longa, que venhamos a ter pela frente, pois encontraremos sempre em nossos caminhos um misto de alegrias e tristezas, hoje ou amanhã, quando menos estejamos esperando, sendo obrigados, então, a libertarmos nossas represadas lágrimas, debaixo das quais envolvemos a dor que nos martiriza ou, conforme a circunstância, nos empolgamos com o raio de satisfação que estiver circulando em nossas coronárias.

Por isso, ocasionalmente, teremos mesmo é que chorar por isto ou aquilo, sem que tenhamos um lencinho branco que se aproxime suavemente de nossos sofridos rostos... Com o futebolista, que tantos aplausos já ouviu e sentiu em função da arte que possui nos previlegiados pés, não podia ser diferente, e, então, foi ele levado a surpreender muita gente com a humildade de seu coração, dessa forma pondo para correr no gramado de seu íntimo a pelota de mágua que o entristecia.

Afirma-se que até os brutos choram. E não se queira incluir no rol o simpático jogador. Tem-se, antes, de incluí-lo entre os seres absolutamente normais, que respeitam os semelhantes, consideram-se dotados das mesmas virtudes e defeitos dos outros e, consequentemente, aspiram todas as considerações que lhes possibilitem a realização de seus anseios.

É dessa forma o caso Romário que, como os colegas, tem o desejo total de vestir a camiseta verde-amarelo e defender o renome futebolístico de sua Pátria, coisa que não se lhe pode negar. Então, saca-se: se até os brutos amam, o que se poderia exigir do impetuoso goleador, que é visceralmente bom e generoso, a não ser deixar que ele se lacrimeje livremente na angústia de ver dissipar-se a aura de esperança que se lhe negam? Como seria bom se todos os nossos desejos pudessem ser realizados de graça!!!

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e co-fundador da Associação dos Cronistas Esportivos de Bauru.

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