Polícia

Fiscal do Ipem é preso sob acusação de extorsão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um fiscal do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) de Bauru foi preso em flagrante, ontem à tarde, em uma casa no Jardim Cruzeiro do Sul, acusado de corrupção passiva. Hélio Garbelini, 49 anos, foi flagrado ao receber R$ 1,5 mil em dinheiro e cheques do proprietário de uma empresa do ramo de venda de queijos de Bauru. Ele é acusado de ter pedido dinheiro em troca de não mais multar a empresa.

O fiscal foi autuado em flagrante no 4.º Distrito Policial e recolhido à Cadeia Pública de Bauru, confirma o delegado Marcos Cremonesi, titular do DP. A pena para o crime de corrupção passiva é de um a oito anos de reclusão. O Ipem é um órgão estadual que fiscaliza produtos pré-medidos, para verificar se contêm a quantidade especificada na embalagem, e inspeciona instrumentos de pesagem e medida, como balanças.

O empresário que sofreu a extorsão, cujo nome não foi divulgado pela polícia, procurou o 4.º Distrito Policial na terça-feira à tarde e contou que vinha sendo procurado pelo fiscal do Ipem, que lhe havia pedido dinheiro para não multar a empresa outra vez.

Por volta das 13h30 de ontem, o delegado Dinair José da Silva, do 4.º DP, foi à casa do empresário, onde havia ficado combinado que o dinheiro seria entregue. Silva presenciou quando Garbelini chegou à casa e pegou os R$ 1,5 mil, sendo R$ 500,00 em dinheiro e o restante em dois cheques pré-datados.

O fiscal foi levado à delegacia, que fica a poucas quadras da casa do empresário, onde confessou que o dinheiro seria para outro funcionário do Ipem, de Presidente Prudente. Silva explica que o empresário tirou cópias das notas e dos cheques entregues ao fiscal, para comprovar que o dinheiro lhe pertencia.

O 4.º DP instaurou inquérito, que deve ser concluído em dez dias. De acordo com Silva, será investigado se não há mais envolvidos e a extensão da corrupção. O delegado orienta as pessoas, em caso de sofrer tentativa de extorsão, a denunciar o caso à polícia. O JC tentou, mas não conseguiu localizar o advogado de Garbelini.

Um funcionário da empresa, que preferiu não ter seu nome divulgado afirmando ter medo de represálias, contou ao JC que o empresário não mais suportava receber multas, segundo ele, todas indevidas. “Ele (o empresário) não aguentava mais receber multas. Estávamos recorrendo das multas, mas recebíamos mais e começaram a aparecer os pedidos de proprina”, conta.

Funcionário responderá sindicância

Se a acusação de corrupção passiva que pesa contra Hélio Garbelini for comprovada, ele poderá ser demitido do Ipem. A informação é de Luiz Antônio Brizzi, supervisor técnico regional do órgão, que conta que o fiscal vai responder a sindicância administrativa por conta da denúncia. “Se ficar comprovado o delito, ele terá todas as punições cabíveis”, explica.

Brizzi ressalta que Garbelini foi preso durante o horário de almoço e quando estava com veículo próprio. O fiscal trabalhava na rua, fazendo a coleta de produtos para análise, e internamente, realizando os testes de aferição de peso. “Hoje (ontem), ele estava fazendo serviço interno e teve expediente normal pela parte da manhã. Quando aconteceu o fato, pelo que tenho conhecimento, ele estava em horário de almoço e em veículo particular”, conta Brizzi.

Ele diz que verificou o cadastro da empresa que denunciou Garbelini e confirmou que ela realmente foi autuada várias vezes, mas ressalta que não tinha informações nenhuma sobre pedidos de propina antes de ser informado pela polícia, ontem. “Vamos instaurar imediatamente a comissão de sindicância para apurar os fatos. Se houve o delito, ele não será poupado de nenhuma sanção prevista”, afirma.

A comissão, de acordo com Brizzi, é nomeada pelo superintendente do órgão. O escritório do Ipem de Bauru conta com oito fiscais para inspecionar instrumentos de pesagem e medida em 56 municípios e fiscalizar produtos pré-medidos (de produtos acondicionados) em 95 municípios.

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