Saúde

Cerca de 90% dos doentes são mulheres

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 2 min

A bulimia e a anorexia atingem mais as mulheres. Dos poucos casos, aproximadamente 10%, que ocorrem nos homens, são em homossexuais. Não se sabe as causas das doenças nem porque ela incide mais nas mulheres. Acredita-se, porém, que o sexo feminino é mais suscetível a transtornos psiquiátricos. Normalmente, quem desenvolve a bulimia ou a anorexia tem características de outros transtornos de humor.

De acordo com a psiquiatra Elaine Lúcia Dias de Oliveira, as duas doenças apresentam quadros multifatoriais. “Existe uma predisposição orgânica, uma situação psicossocial que favorece e a circunstância que favorece o desenvolvimento dessas doenças”, explica.

A médica lembra que a anorexia é um quadro que se observa desde o século XIX. A freqüência, de acordo com ela, é maior em países ocidentais, industrializados onde ocorre o culto à magreza. â€œÉ muito comum em profissões que adotam esse tipo de aparência que são os modelos, bailarinos. Essas pessoas precisam ser muito magras, então elas podem começar com uma simples dieta e evoluir para a anorexia nervosa”, diz. Elaine conta que é comum a doença ter início a partir de uma dieta alimentar para emagrecimento.

Uma alteração psiquiátrica que acontece com as anoréxicas considerada importante pela médica é a desorientação da visão do próprio corpo. “Ela se olha no espelho e se vê gorda, mesmo quando está num estágio em que os ossos já estão aparecendo”, afirma.

O mais importante no tratamento psiquiátrico, de acordo com Elaine, é a abordagem psicoterapêutica. â€œÉ preciso uma abordagem muito bem feita e criar um vínculo muito bom com essa paciente”, diz.

Recaída

Ela explica que é uma doença que tem uma regressão difícil e que a paciente, normalmente, tem recaídas. O primeiro passo é a psicoterapia para depois entrar com medicamentos. â€œÉ preciso ter muita responsabilidade e agir com cautela porque senão a paciente assusta e abandona o tratamento”, afirma.

Ela conta que muitas vezes a internação é inevitável, principalmente para livrar a paciente da morte. Esse risco de morte acontece quando o estágio da doença está bem avançado. “Como a pessoa está desnutrida, não tem alimentação, o organismo começa a se alimentar dele mesmo. Se inicia um processo autofágico. As reservas celulares começam a serem usadas e pode ocasionar uma atrofia cerebral, chegando num ponto que é irreversível”, explica.

Diferenças

Diferente da anorexia, onde a terapia é o primeiro estágio do tratamento, no caso de bulimia é preciso entrar imediatamente com medicamentos, afirma Elaine.

A médica relata que as pacientes com bulimia e anorexia são, normalmente, muito ansiosas. Como elas têm esse quadro de ansiedade, possuem propensão para desenvolver pânico, fobia social e evitam a interação interpessoal.

São pessoas que não conseguem manter uma vinculação afetiva e desenvolvem também a depressão e casos de psicose. “São pacientes que precisam de um acompanhamento prolongado. Mesmo quando o processo crítico termina e a paciente recebe alta, é preciso uma continuidade da terapia, porque a simples lembrança do passado pode levar a recaídas”, diz.

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