Avaí - Uma troca de cargos promovida pelo administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Rômulo Siqueira de Sá, resultou em nova confusão envolvendo os índios da Aldeia de Araribá, em Avaí. Descontentes com a decisão, eles pleitearam uma reunião junto à Procuradoria da República e garantem que, na oportunidade, Sá teria anunciado seu pedido de exoneração do posto.
A demissão do administrador não foi confirmada pelos órgãos oficiais, mas já é tida como certa pelos índios. Ontem à tarde, a comunidade indígena articulava uma nova reunião, a ser realizada na próxima semana, com lideranças das 26 aldeias representadas pela regional da Funai. O objetivo, segundo eles, seria definir um nome para substituir Sá.
“Vamos convidar os 26 caciques para escolher outro representante. Depois, vamos elaborar o documento, formar uma comissão e levar nossa indicação ao presidente da Funai, em Brasília, que é quem vai nomear o novo administradorâ€, afirma o terena Edenilson Sebastião (conhecido como Chicão), ex-chefe do Posto Kopenoty.
De acordo com os representantes da Aldeia de Araribá, o descontentamento começou no início deste mês, quando Sá anunciou a troca de dois índios de função. Edenilson Sebastião era chefe do Posto Kopenoty e Mário de Camilo era chefe do Serviço de Assistência ao Índio na regional da Funai. Sá nomeou um para o lugar do outro, ou seja, levou Camilo para a aldeia e Sebastião para a Funai.
“Só que ele fez isso sem conversar com ninguém, sem consultar as lideranças. Nós pedimos a presença dele na aldeia para dar explicações. Ele se recusou a vir e nós acionamos o Ministério Público Federal, que agendou uma reunião com ele para hoje (ontem) de manhãâ€, relata Sebastião.
Desavenças
Durante o encontro dos índios com o administrador regional da Funai, Sá teria alegado que promoveu a troca porque, a seu ver, Sebastião teria o perfil mais adequado à função de chefe da assistência. “Ele disse que o Edenilson seria mais útil dentro da Funai e eu seria mais útil aqui (na aldeia)â€, acrescenta Camilo.
Para os índios, o administrador agiu de má-fé, criando uma divisão entre a tribo, colocando um contra o outro e gerando sérias discussões internas. “E ele disse que não voltaria atrás, mas acabou pedindo a própria exoneração. Ele entregou o cargo perante a comunidade e o procurador da República e que agora é só aguardar a publicação da portariaâ€, comemorou Sebastião.
Ontem à tarde, representantes da comunidade discutiram o rumo a ser tomado e concluiu pela manutenção dos cargos recém-determinados, além de articular o contato com caciques das demais tribos da jurisdição para a indicação de um substituto para Sá.
Exoneração é enigma
Até o fechamento desta edição, às 22h de ontem, a reportagem não conseguiu localizar nenhum representante da Funai que confirmasse o pedido de exoneração de Rômulo Siqueira de Sá, atual administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Sá foi procurado na sede da Funai, ontem à tarde, mas funcionários do local informaram que ele havia estado lá pela manhã e que não voltaria. A reportagem deixou recado, pedindo que ele entrasse em contato, mas não obteve retorno.
À noite, em telefonema feito à casa de Sá, familiares do administrador garantiram que ele viajou ontem e que só voltaria para Bauru no próximo final de semana. Questionados a respeito da exoneração, os parentes afirmaram que não se manifestariam.
O procurador da República, André Libonati, que participou da reunião entre os índios e o administrador da Funai, ontem pela manhã, informou que não presenciou o pedido de demissão de Sá. “Eu não pude acompanhar o encontro até o fim, mas até quando saí, não ouvi o anúncio de exoneraçãoâ€, destaca.
Libonati ressalta que o Ministério Público não se envolve em questões políticas ou de organização interna da aldeia ou da Funai. Questionado, porém, ele informa que Sá tem total autonomia para fazer as nomeações, que se referem a cargos de confiança.
“Nossa participação foi como mediadores da conversa, no intuito de prevenir a ocorrência de desagravos ou atos violentosâ€, salienta. O descontentamento dos índios com o administrador é antigo e, em outros episódios, já houve tumulto.