Polícia

Aumenta violência em portas de escolas de Bauru

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto os números de registros de violência nas escolas estaduais de Bauru têm se mantido estáveis, o aumento de ocorrências em frente ou nos arredores dessas instituições têm preocupado os profissionais da área de ensino. De acordo com o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, antes o que predominava eram brigas internas (entre alunos) e desentendimentos sem gravidade.

Atualmente, o problema já foge do perímetro dos muros e portões das escolas. “De uns tempos para cá, mudou o tipo de violência. Hoje, o modelo da sociedade é reproduzido nos arredores das escolas com disputas de espaço. São invasões e coisas inesperadas”, afirma.

Na noite de anteontem, houve disparos em frente à escola estadual Joaquim Madureira, que fica no Parque Vista Alegre. Um rapaz disparou contra um jovem de 22 anos supostamente por dívidas de drogas .

Outro exemplo recente foi um “arrastão” em frente à escola estadual Mercedes Paes Bueno, na qual adolescentes que não são alunos da escola agrediram estudantes devido a uma rixa antiga. A Polícia Militar (PM) foi acionada.

Já no início de março deste ano, um menino de 13 anos foi assassinado com um tiro em frente à escola estadual Ayrton Busch, no Parque Jaraguá. A polícia informou, na ocasião, que o crime pode estar relacionado a um grupo de jovens que abandonaram os estudos e reúnem-se freqüentemente em frente à escola.

Na semana anterior, um adolescente de 17 anos foi esfaqueado em frente à escola Stela Machado, na Vila Falcão. Nem ele nem o agressor são estudantes da unidade.

De acordo com dados da 1.ª e da 3.ª Companhia da PM, os policiais também são acionados por casos isolados de dano, perturbação de sossego, ameaça, furto e tentativa de furto.

A diretora da escola Mercedes Paes Bueno, Beatriz Garcia Sanches, ressalta que o episódio deste mês foi provocado por jovens que não são alunos da escola. “A escola vê isso com bastante preocupação. São atos que refletem o que acontece na sociedade. Por isso, a comunidade tem que estar mais envolvida com a escola”, acredita.

Outro fator que aponta para a diminuição das ocorrências internas são as visitas feitas às instituições pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ubirajara Maintinguer. Ele afirma que não têm sido registrados atos infracionais nas escolas estaduais. O juiz há dois anos faz palestras semanais nas instituições da rede estadual e agora passou às escolas da região, já que a situação de Bauru foi considerada estável.

Programa

O dirigente regional de Ensino acredita que os programas desenvolvidos internamente com alunos e familiares com o objetivo de conscientizar para o combate à violência têm surtido efeitos.

Entre eles, estão o Programa de Prevenção e Resistência às Drogas e Violência (Proerd), realizado pela PM com alunos de 4.ª série das escolas estaduais; o Programa Jovens Contra o Crime, desenvolvido com alunos de 4.ª série a terceiro ano do ensino médio, e o Projeto Comunitário Mirins, para crianças abaixo da 4.ª série.

Os problemas externos, na opinião de Vieira, demandam atividades que envolvam mais a comunidade. “Os programas internos, muitos em parceria com a PM, vêm mudando o jeito do interno da escola. Agora, temos que mudar o externo. Estamos buscando projetos com a comunidade externa como atividades esportivas e cursos”, diz.

O dirigente regional de Ensino acredita que a instalação de câmeras e sistema de alarmes em 17 escolas da rede estadual de Bauru também contribuíram para a diminuição das ocorrências internas. “As câmeras controlam o interno da escola. De uma sala com monitores, controlamos a escola toda. Na realidade, precisamos de zeladoria e de sistemas de segurança em todas as escolas estaduais, mas estamos caminhando para isso”, acrescenta Vieira.

Questão social

Para a psicóloga Luciana Bien, os atos violentos praticados por adolescentes devem ser avaliados a partir dos contextos social, político e cultural da sociedade. Ela acredita que não adianta buscar explicações para fatos isolados de violência.

“A violência desenfreada dos jovens denuncia não a delinqüência dos mesmos, mas a doença social na qual vivemos. Uma sociedade em que o ter sobrepõe-se ao ser, instigando a competição de quem pode mais sem importar os meios de se chegar lá”, expõe.

A psicóloga enfatiza a importância de diferenciar a patologia de um adolescente que comete atos violentos das manifestações em massa com mero objetivo de medir forças. â€œÉ preciso que se compreenda o contexto social, familiar e emocional destes adolescentes. Não podemos fechar os olhos para a violência da sociedade”, reforça.

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