O que é a vida?
Essa pergunta tem me martelado a cabeça “full timeâ€, hora inteira.
Na realidade, a gente vai vivendo a vida nossa de cada dia, sem prestar atenção nas coisas que a gente se depara e deglute, nem sempre com prazer ou com facilidade. A gente vai levando, como no dizer da canção.
De repente, um dia a gente acorda e sente, que a vida passa célere, e muitas vezes nem paramos para saboreá-la, nas coisas boas que ela nos apresentou, porque nos sentimos presas a desvencilhar armadilhas e a desatar nós.
Gastamos nossa existência a administrar problemas e conflitos. Viver é tarefa até que fácil, mas conviver... Ah! conviver é complicada e trabalhosa, no sentido de exigir de nós, resoluções, determinação pra não dar tudo de mão, não nos fecharmos em nós mesmos, não fugirmos da raia, o que de certa forma é até mais fácil.
Lutar a cada dia, tentando entender, compreender e apreender o sentido de tudo o que nos acontece, faz-nos virar de cabeça pra baixo, e a pôr em “check†todas as nossas certezas, e a concluirmos que certezas não existem, quando se trata de seres humanos.
Esse componente de vida tão complexo em sua manutenção e ao mesmo tempo podendo ser de uma simplicidade infantil.
Paradoxal é a vida! Paradoxal é o ser humano!
Coração humano é terreno minado!
E saber ser feliz, nessa parte que nos cabe neste latifúndio, torna-se cada dia mais atrapalhado e confuso e incoerente até. As incertezas são maiores que as certezas, desde que Copérnico nos fez ver que não somos o centro do universo, que Freud descobriu o mundo interior.
Os poetas, e os artistas de um modo geral, tentam nos revelar a complexidade do mundo através de sensações e emoções, mas quando essa obra de arte chega até nós, a leitura do criador delas já não se faz presente, porque em cima dela, fazemos nossa própria releitura e pomos nosso eu interior a trabalhar, a sentir, a deduzir, a intuir pelo que somos ou fomos. O que torna vulnerável todas as verdades, todas as certezas e todas as dúvidas.
Peguemos o leme das nossas vidas, sejamos protagonistas de nossa história e não apenas coadjuvantes sem valer de decisão.
O mundo moderno nos fragiliza com suas palavras de ordem, quando realmente a única ordem que nos fará leves de seguir é a ordem de nosso eu interior e nossa intuição de ser humano feito a imagem e semelhança de Deus, que sabiamente nos deu livre arbítrio, “free will†- livre desejo em inglês... livre decisão.
Estaremos fazendo uso dele ou estamos nos acovardando de decidir por simples comodidade. Afinal remar contra a maré, é coisa para atletas em sua plena forma.
Precisamos manter nossa forma primeira! Voltemos no tempo e reciclemos nossos valores. Difícil sim, mas não impossível!!
(*) A autora é poeta, escritora, membro da Academia Bauruense de Letras e assessora do Ju Machado - Escritório de Arte.