Cultura

Viver, viver, viver...

Ercília Pollice (*)
| Tempo de leitura: 2 min

O que é a vida?

Essa pergunta tem me martelado a cabeça “full time”, hora inteira.

Na realidade, a gente vai vivendo a vida nossa de cada dia, sem prestar atenção nas coisas que a gente se depara e deglute, nem sempre com prazer ou com facilidade. A gente vai levando, como no dizer da canção.

De repente, um dia a gente acorda e sente, que a vida passa célere, e muitas vezes nem paramos para saboreá-la, nas coisas boas que ela nos apresentou, porque nos sentimos presas a desvencilhar armadilhas e a desatar nós.

Gastamos nossa existência a administrar problemas e conflitos. Viver é tarefa até que fácil, mas conviver... Ah! conviver é complicada e trabalhosa, no sentido de exigir de nós, resoluções, determinação pra não dar tudo de mão, não nos fecharmos em nós mesmos, não fugirmos da raia, o que de certa forma é até mais fácil.

Lutar a cada dia, tentando entender, compreender e apreender o sentido de tudo o que nos acontece, faz-nos virar de cabeça pra baixo, e a pôr em “check” todas as nossas certezas, e a concluirmos que certezas não existem, quando se trata de seres humanos.

Esse componente de vida tão complexo em sua manutenção e ao mesmo tempo podendo ser de uma simplicidade infantil.

Paradoxal é a vida! Paradoxal é o ser humano!

Coração humano é terreno minado!

E saber ser feliz, nessa parte que nos cabe neste latifúndio, torna-se cada dia mais atrapalhado e confuso e incoerente até. As incertezas são maiores que as certezas, desde que Copérnico nos fez ver que não somos o centro do universo, que Freud descobriu o mundo interior.

Os poetas, e os artistas de um modo geral, tentam nos revelar a complexidade do mundo através de sensações e emoções, mas quando essa obra de arte chega até nós, a leitura do criador delas já não se faz presente, porque em cima dela, fazemos nossa própria releitura e pomos nosso eu interior a trabalhar, a sentir, a deduzir, a intuir pelo que somos ou fomos. O que torna vulnerável todas as verdades, todas as certezas e todas as dúvidas.

Peguemos o leme das nossas vidas, sejamos protagonistas de nossa história e não apenas coadjuvantes sem valer de decisão.

O mundo moderno nos fragiliza com suas palavras de ordem, quando realmente a única ordem que nos fará leves de seguir é a ordem de nosso eu interior e nossa intuição de ser humano feito a imagem e semelhança de Deus, que sabiamente nos deu livre arbítrio, “free will” - livre desejo em inglês... livre decisão.

Estaremos fazendo uso dele ou estamos nos acovardando de decidir por simples comodidade. Afinal remar contra a maré, é coisa para atletas em sua plena forma.

Precisamos manter nossa forma primeira! Voltemos no tempo e reciclemos nossos valores. Difícil sim, mas não impossível!!

(*) A autora é poeta, escritora, membro da Academia Bauruense de Letras e assessora do Ju Machado - Escritório de Arte.

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