A pesquisa feita por profissionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) para instalar poços para avaliação da qualidade da água que passa sob o aterro sanitário de Bauru está dispondo de tecnologia pioneira no Brasil.
A técnicas convencional é a Geofísica pela Técnica da Eletroresistividade de Superfície. Ela permite que o estudo seja feito em grandes áreas. São passados fios de corrente elétrica pelo terreno avaliado. Pela alteração da corrente elétrica, são identificados os indícios dos locais de maior contaminação.
A técnica inédita é a utilização do penetrômetro - dispositivo que permite avaliar com detalhe o solo sem que seja necessário retirar terra do local. Com o auxílio de uma espécie de trator, o aparelho é inserido no terreno. Conectado a um computador, o equipamento fornece dados de resistência, atrito, pressão e outras informações que são indiretamente interpretadas.
Sensores acoplados ao penetrômetro - do qual existem apenas três unidades no Brasil (Bauru, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) - podem detectar, por infra-vermelhos, resistividade ou até mesmo câmeras, a presença de contaminantes no solo.
Outra vantagem da utilização do penetrômetro é a prevenção de eventuais contaminações durante o estudo já que para fazer o furo não é retirada parte do solo, apenas empurrada. “Ele faz com rapidez e limpeza muito grande e não gera contaminantesâ€, enfatiza Heraldo Giacheti.
Dados
Nos estudos de ontem, foram coletadas amostras de água dos lençóis freáticos que passam pelo aterro. Elas serão analisadas na Unesp e em outros laboratórios.
Os pesquisadores identificaram também a extensão da cava, o caminho preferencial da água subterrânea, o possível caminho de contaminantes no solo e dados sobre os locais mais apropriados para o monitoramento. “A partir disso, teremos certeza de que estamos avaliando o aterro do ponto crítico. Se você não monitorar o ponto crítico, você pode sair com uma conclusão erradaâ€, reforça Giacheti.