Articulistas

Mundo de parceiros

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 3 min

Em quase todos os países, especialmente os maiores, as populações de mulheres vêm superando as dos homens. Os recenseamentos decenais, que nunca mentem, estão corroborando as estatísticas anuais, atestando que nos últimos 90 anos o número de Evas aumentou mais que em outros tempos, ganhando a dianteira da espécie. E mostram que cresceram não só em quantidade como, por extensão, em todos os campos da atividade humana, graças ao que passaram a preencher espaços significativos seja na sociedade propriamente dita, seja nas atribuições profissionais, seja no lar querido. Aqui, ou seja, no recesso das moradias suntuosas ou não, nem o aumento da penetração da pílula anticoncepcional foi suficiente para retrair a geração de seres, os quais continuaram surgindo românticos, nos bercinhos domésticos, chorando ou sorrindo para seus autores, enquanto, paralelamente, começavam a aparecer na paisagem levas e mais levas de moças para namorar e, também, moças para transar, pois a sexualidade deixara de ser tabu, responsabilizando-se pelo fato do número de mães solteiras aumentar em 22 por cento... Não se duvida de que a industrialização e a urbanização que se desencadearam nos países passaram a se constituir fatores decisivos para o desenvolvimento da coletividade feminina, uma vez que a tradicional retenção das mulheres no aconchego doméstico passou a ser substituída pela canalização delas no sentido de empresas, bem como por sua invasão a muitas vagas profissionais até então destinadas a masculinos. Face a tudo isso e, especialmente, à vertiginosa subida das garotas na somatória demográfica universal, não é exagero que se pergunte: afinal, de quem o mundo é hoje? Deve-se responder que ele deixou de ser dos senhores para ser das senhoras? Não, em absoluto, pois, ainda que o belo sexo esteja se avantajando sobre o outro, os espaços terráqueos continuam se dividindo entre ambos quase em pé de igualdade. É inegável, portanto, que a verdade dos números não pode representar perigo para a caminhada dos homens, ainda que ela revele que estão as mulheres assumindo até lugares e funções executivas governamentais, como se descobre nos executivos de diversas nações, como Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Portugal e, inclusive, neste Brasil nosso e dos nossos filhos, em cujos horizontes muitas jovens já não se casam por amor, outras vivem com companheiros simplesmente sem casar, outras mais se tornam mães solteiras (22%) e há aquelas que não se assustam com o divórcio ou a separação pura e simples, agora acontecendo em cerca de 19% anuais.

É a demografia e os costumes mudando, a seu modo, a sua própria história, sem que haja instrumento qualquer que possa estancar a sua postura, que, entendem as pessoas, constitui seu próprio destino. Verdadeiramente, o mundo é dos dois sexos e se divide entre ambos, pois foram criados como parceiros harmônicos e terão de co-existir assim até que venham os últimos acenos dos tempos, porque, segundo o curioso espírito de “O Clone”, o belo globo em que a gente vive aqui “não é brinquedo, não”. E nem poderia ser! É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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