Bairros

Vasos compensam a falta de quintal

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

A impermeabilização dos quintais em Bauru é uma praxe inconteste. Em todos os bairros, principalmente os populares, onde os terrenos são pequenos, oito entre dez casas não possuem um único espaço de terra aberta. Isso não significa, porém, que os bauruenses não gostam do verde. Muito pelo contrário, pois a proporção de residências ornamentadas com plantas naturais é maior: praticamente todas mantêm vasos à vista do público, ainda que um único e malcuidado.

Outra constatação interessante é que os “jardins móveis” são mais comuns e numerosos nos bairros antigos, com destaque para as vilas Falcão e Cardia, jardins Bela Vista e Brasil, Higienópolis, Altos da Cidade e Vista Alegre. Em algumas casas, o número de vasos no chão é tão grande que as plantas parecem estar cultivadas no solo.

Os vasinhos em áreas descobertas, aliás, são indicados na falta de terra aberta, pois têm poder de absorver a água da chuva e retardar o escoamento para as ruas. Mais do que isso, exercem influência positiva no emocional humano.

â€œÉ claro que manter vasos de plantas vai do gosto da pessoa. Tem gente que simplesmente não gosta, mas estudos científicos já atestaram que o contato com o verde é uma arma poderosa contra o estresse. Além disso, as plantas propiciam um clima mais ameno e carregam consigo a propriedade de reter partículas de poeira”, ensina a professora Norma Constantino, que ministra aulas de paisagismo na Unesp de Bauru.

A dona de casa Emília Lesnock Piovesan, residente na Vila Cardia, é testemunha do poder das plantas. “Trabalho elas dão sim, mas para mim é uma distração, uma verdadeira terapia”, garante.

Emília não sabe precisar quantos vasos mantém no pequeno espaço cimentado existente entre a casa e o muro. Suspensos ou no chão, eles transmitem um frescor muito agradável, tanto que o local é palco freqüente de bate-papo com as filhas e vizinhas.

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