Tribuna do Leitor

CAMINHOS E DESCAMINHOS...

Leda Fernandes Michellão
| Tempo de leitura: 2 min

“Sobrevivendo aos temporais, esta paixão ainda me guia”. E eu acrescentaria à canção de Fafá de Belém que, sobrevivendo ao tempo, esta prazerosa tarefa de educar continua me guiando.

E é por essa razão que fico perplexa quando alguma escola, seja ela pública ou particular, transforma-se “numa zona de ninguém”, lugar onde cada um pode fazer uma experiência metodológica, um teste de ensino, sem que haja por parte dos responsáveis educacionais, um delineamento de seus propósitos, diretrizes a serem seguidas, ou seja, um projeto pedagógico para que realmente a escola possa cumprir sua função primordial que é ensinar.

E é em nome desse projeto que se deve conhecer as tendência pedagógicas, as teorias do conhecimento (epistemologia), as filosofias de educação, as reais necessidades de seu alunado para o exercício pleno de sua cidadania e a partir dai estabelecer que tipo de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores se quer formar nas novas gerações. Didaticamente, a atividade escolar pode variar sua prática educacional, pelo menos sob três enfoques: o tradicional, o renovado tecnicista e o sócio-político. O que não deve acontecer é a escola ficar à deriva e servir de palco de experiências individuais, numa pedagogia do lassez-faire, sem rumo, inexistindo um orientador, um norteador para traçar e corrigir o caminho, dando assim, uma direção pedagógica, filosófica, metodológica para a equipe responsável pela educação da clientela escolar.

Como escreveu Paulo Freire, ainda bem que existem professores com qualidades extraordinárias como bom senso, morosidade, tolerância, segurança, capacidade de decisão, parcimônia verbal e sobretudo a coragem de lutar ao lado da coragem de amar, que caminham sozinhos, apesar dos descaminhos, porque têm competência técnica e compromisso político.

Pensar a escola como uma empresa cujo único objetivo é formar mão-de-obra para o mercado de trabalho, reduzindo a função social da escola é emprobrecê-la, é delegar a ela uma tarefa meramente técnica, sem atingir sua finalidade essencial que é formar o educando como homem e cidadão.

(Leda Fernandes Michellão - RG. 4.860.757)

Comentários

Comentários