Regional

Nova ONG sai em defesa dos rios

Redação
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Pederneiras - A idéia de que o rio Tietê é sinônimo de sujeira apenas na cidade de São Paulo já foi por água abaixo há muito tempo. Justamente por isso, um grupo de ambientalistas e biólogos de Pederneiras resolveu criar uma Organização Não-Governamental (ONG) para tentar salvar o Tietê, pelo menos, na região de Pederneiras, distante pouco mais de 300 quilômetros do poluído rio que corta a capital.

O alvo da ONG Vida Nova Tietê é, a princípio, cuidar dos dois principais afluentes do Tietê no município: o ribeirão Pederneiras e o rio Bauru. As atividades da organização começam hoje, quando os integrantes se reunirão para a primeira audiência. “Até agora, não podíamos pedir explicações porque não era oficial. A partir de quarta-feira (hoje) vai ser”, afirma.

Segundo José Roberto Segato, vice-presidente do conselho da entidade, os objetivos da ONG são proteger, recuperar e preservar a mata ciliar e a qualidade da água dos afluentes e do próprio rio Tietê, além de promover estudos, pesquisas e palestras que promovam o desenvolvimento consciente dos recursos hídricos da região.

De acordo com Segato, a organização conta com o apoio de biólogos, ambientalistas e advogados, para que os trabalhos possam ser feitos não se restringindo apenas a questões ambientais, mas também “cobrando” das autoridades promessas antigas, como a construção de uma estação de tratamento de esgoto em Pederneiras.

“A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) cobra o esgoto na conta d’água, mas não faz tratamento; o esgoto está sendo jogado praticamente no centro da cidade”, denuncia Segato. O emissário a que ele se refere fica a poucas quadras do prédio da prefeitura, e despeja esgoto diretamente no ribeirão Pederneiras.

Segundo comerciantes que trabalham próximos ao local, o cheiro do ribeirão fica “insuportável” por volta das 15 horas.

“Tem freguês que chega a tapar o nariz aqui”, relata Durvalino Francisco Nogueira, que trabalha no local há cerca de 20 anos. “Esse fedor começou há uns oito anos, quando puseram esse emissário aqui; a conta de água dá R$ 30,00 e cobram R$ 60,00 por causa do esgoto, para ficar desse jeito aí”, ressalta.

Rio de “neve”

A cerca de oito quilômetros do Centro de Pederneiras, às margens da estrada que liga a cidade à Boracéia, o rio Bauru desemboca no Tietê. Poucos metros antes do encontro das águas, o afluente passa por algumas pequenas cascatas.

O local, que fica dentro da área de um clube da cidade, podia ser aproveitado para o lazer dos sócios, não fosse os montes de espuma branca de cheiro ácido que se formam no local.

Segundo Édson Carlos Limone, presidente do conselho da ONG, o rio Bauru atravessa grande parte do município de Pederneiras, mas não recebe esgoto da cidade. A sujeira, diz Limone, sai de Bauru.

“O pior é que tem o ribeirão Bonito, que vem limpo até encontrar o rio Bauru; no fim, o que era limpo também acaba chegando poluído no Tietê”, observa.

Mesmo com a poluição, algumas pessoas pescam no local - com a água na cintura - e dizem que os peixes não têm gosto ruim. Questionado se não tem medo de ficar doente, o lavrador Ronaldo Carlos responde com segurança: “A água ‘roda’ um pouco e acabou a sujeira. A gente sempre pesca aqui e nunca aconteceu nada”.

Limone conta, no entanto, que os peixes nativos, como a mandiuva, não sobrevivem na água limosa e coberta de “neve”, como dizem os pescadores. Os peixes encontrados no local, geralmente tilápias, sobem os poucos metros do rio Tietê até a pequena cascata para desovar. Por isso, afirma Limone, ainda não estão contaminados. “Quando se acha peixe nativo aqui, pode apostar que tem gosto horrível”, garante.

Ação deve atingir outras áreas

Além de cuidar do rio Tietê e seus afluentes na região de Pederneiras, a ONG Vida Nova Tietê também pretende acompanhar de perto as instalações da usina termelétrica do município, que será instalada pela multinacional Duke Energy International.

Segundo Édson Carlos Limone, a empresa prometeu que a água seria retirada do rio dos Patos, mas já foram perfurados dois poços artesianos no local onde a usina será instalada. “Temos que ver de onde está vindo essa água e com a temperatura que ela vai ser devolvida”.

Além disso, a organização promete traçar um perfil da qualidade da água do rio Tietê na região - dados que, segundo Limone, ainda não existem.

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