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Paixão não tem limite de idade

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Quem pensa que o mundo automobilístico é tarefa para “gente grande” está enganado. Mais do que uma paixão nacional para os adultos brasileiros, os automóveis também exercem verdadeiro fascínio em crianças e jovens.

Não é difícil encontrar pelas ruas meninos e meninas brincando com carrinhos de brinquedo ou mesmo com os de rolemã. Mais fácil ainda é flagrar o olhar curioso e de admiração de uma criança “perseguindo” um veículo que transita por uma via, como se este fosse de um outro planeta.

Tal paixão infantil e adolescente pelos carros geralmente é transmitida de pais e mães para os filhos. É o caso do bauruense Diego Henrique Luiz, de 14 anos, que desde os cinco anos de idade, conforme seu pai Cássio, já manifestava interesse pelos automóveis. “Sempre tive motos e carros e ele queria pilotá-los e ver como funcionavam”, afirma Cássio. Observar o pai guiar os veículos também motivava o adolescente. “Quando o via ao volante de um carro, tinha vontade de fazer a mesma coisa. Também ficava empolgado quando lia reportagens do assunto em jornais e revistas”, diz Diego.

Para ele, a pressa de tirar logo a carteira de habilitação se mistura à vontade de ter o “carro dos sonhos”, que no caso trata-se de um Passat importado. “Estava na praia e, quando percebi ele passeando pelas ruas, decidi que esse seria o carro que queria ter para dirigir assim que pegasse a carta de motorista. O Passat é muito bonito”, ressalta o jovem.

Além disso, Diego também mantém com todo carinho uma coleção de miniaturas, onde figuram exemplares de supermáquinas como o Viper, Corvette e Ferrari F50 e motos da BMW e da Yamaha. Na hora de escolher a profissão, o adolescente é taxativo. “Gostaria de ser piloto de carro ou de avião”, conclui ele.

Paixão em família

Definir o pequeno bauruense Matheus Tosi Teixeira, de 6 anos, como apaixonado por automóvel é pouco, pois ele nutre verdadeira fixação por carros. Seguindo os passos do seu avô, um colecionador de veículos, Matheus faz do dia-a-dia uma convivência constante com os autos. “Ele gosta desde que nasceu, mas nem imaginava que ele fosse admirar tanto, pois há outras crianças na família que não manifestaram tanto interesse”, diz a mãe, Mariângela.

Pode-se dizer que a história de amor de Matheus com os automóveis se iniciou durante os encontros de carros que seu avô participava, onde normalmente o levava a tiracolo. “Como meu pai sempre manteve uma intensa ligação com os veículos e vai com freqüência aos eventos do gênero, o Matheus acabou tomando contato com essa realidade e passou a gostar, e muito”, afirma Mariângela.

Por causa da paixão e da vontade em dirigir um carro, seu avô praticamente foi “obrigado” a projetar um carro só para o neto. A preciosidade, movida a controle remoto, é uma réplica de um Ford Spider 1914 construída quando Matheus tinha apenas dois anos. Como não podia deixar de ser, o pequeno fã dos quatro rodas cuida dela com todo carinho.

Aproximar-se da réplica ele tolera, mas tocá-la chega a ser uma “infração” grave para Matheus. Quem percebeu isso foi um dos fotógrafos do JC que acompanhava a reportagem. Enquanto mexia no volante, foi surpreendido por uma repreensão: “Ei, você não sabe olhar com os olhos?”, gritou Matheus, rindo e se divertindo da situação.

Apesar de todo xodó, Matheus logo deve perder a oportunidade de dirigir o seu carrinho. Como encontra-se em fase de crescimento, quase já não cabe mais no “Spiderzinho”. Mas, segundo Mariângela, seu pai já pensou nisso e promete outra novidade para o neto. “Era para ser surpresa, mas ele disse que irá fazer uma miniatura de uma Romiseta para ele”, revela a mãe.

Oficina

Outros detalhes que fazem de Matheus mais do que um simples apaixonado por veículos são a sua coleção de miniaturas, onde podem ser encontradas exemplares de vários modelos, e uma minioficina. Nesta, que possui até uma bancada, Matheus ajuda o avô a consertar peças de carros e a montar objetos de madeira.

Quando o assunto é o futuro, Matheus tem na ponta da língua as respostas. A questão sobre qual carro gostaria de ter quando crescer é respondida rapidamente: “Um Alfa Romeo, pois tem uma buzina muito bonita”, diz ele. Com velocidade igual ele acrescenta: “E quero ser piloto de Fórmula 1”.

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