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Drogas- entidades tentam quebrar dependência

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Entidades com capacidade de internação, ambulatórios e núcleos de apoio. Todos os grupos envolvidos no tratamento de dependentes de drogas legais ou ilegais possuem uma preocupação com o aumento da demanda, com a diminuição do problema e com as recaídas dos pacientes. Todos encaram a droga como doença crônica.

Em Bauru, as duas maiores entidades de apoio aos dependentes químicos e alcoólatras são o Esquadrão da Vida e a Gilgal. Além delas existe a Ilha de Patmus, Caverna de Adulão e Comunidade São José.

O Esquadrão da Vida tem capacidade para internar 50 pacientes e hoje encontra-se com todos os leitos preenchidos, por pessoas com idade acima de 18 anos. Já a Gilgal, que tem o atendimento voltado aos menores de 12 a 17 anos, abriga hoje 28 recuperandos, mas sua capacidade é para 35 internos.

Edmundo Chavez Muniz, que é presidente do Conselho Municipal Anti-Droga, é o responsável pelos dois núcleos de recuperação. Ele aponta que o crack e a maconha são as duas drogas mais consumidas pelos pacientes dos dois centros. Entretanto, o mais jovens também fazem uso da cola de sapateiro e os adultos da cocaína e do álcool.

Aliás, o álcool é a grande preocupação de Chaves, pelo que pode perceber está se criando uma nova geração de alcoólatras. “Hoje em dia é anormal a quantidade álcool consumida pelos adolescentes. Eles vão as bares e enchem mesas com garrafas, saem de casa com engradados de cerveja no porta-malas. E uma droga sempre leva a uma droga mais forte”, avalia.

Outra preocupação crescente é com as drogas de laboratório: o skunk quando chegar de vez ao Brasil, segundo o conselheiro, deve fazer estragos ainda maiores que a cocaína.

Sem alta

Bauru também conta com o Núcleo de Atendimento Psico-social (Naps), que integra o ambulatório de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde.

No Naps, que surgiu em 1988 para tratar de problemas com alcoolismo, há três anos são tratados dependentes químicos que jamais têm alta do cadastro do núcleo. Depois de um atendimento ambulatorial de desintoxicação que pode durar de um dia a uma semana, os pacientes passam a ser atendidos por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, farmacêuticos e fonoaudiólogos. Eles vão acompanhá-los até que consigam ficar longe da droga. Muitas atividades lúdicas são usadas no processo. “A cada recaída, inicia-se todo o processo novamente”, explica a psiquiatra Eliana Martini dos Santos, chefe da seção Naps.

O núcleo tem onze leitos e atende de segunda a sábado. Até hoje são 3.424 inscritos no programa, sendo 156 dependentes químicos (outras drogas, que não o álcool).

O mais interessante, ressalta a médica, é que a maioria dos pacientes busca o núcleo espontaneamente, mas o apoio é estendido à família do paciente.

E os resultados são totalmente positivos de 30% a 40% dos casos. “Trabalhamos de forma curativa e preventiva, o nosso maior objetivo é diminuir a vulnerabilidade em relação à droga ou ao álcool e fazer com que os pacientes tomem consciência do problema antes dos problemas provocados pelo vício. O dependente só procura a ajuda quando percebe uma perda, seja da família, da saúde, do dinheiro e até dos amigos da droga”, declara a psiquiatra. “Nossa missão é conquistá-lo para que ele reconquiste a identidade perdida”.

Onde encontrar apoio

Conselho Municipal Anti-Droga - (14) 235-1000 (gabinete) Amor Exigente - (14) 239-8964 Caverna de Adulão - (14) 239-2092 Comunidade São José - (14) 222-7133 Disk Alcoólicos Anônimos - (14) 622-6974 Esquadrão da Vida - (14) 222-5076 Gilgal - (14) 230-5467 Ilha de Patmus - (14) 239-0481 Narcóticos Anônimos - (14) 624-7999 (linha de ajuda) Naps - (14) 235-1328

Conselho vai mapear dependência

Apreensões constantes, aumento do número de dependentes químicos, diminuição da idade inicial de consumo de drogas dos mais diversos tipos. Estes são alguns pontos da infinita lista de preocupações do Conselho Municipal Anti-Droga de Bauru. A entidade está iniciando um mapeamento do consumo de entorpecentes para quantificar e qualificar o problema no município.

A pesquisa, que está sendo elaborada, será aplicada no mês de junho entre os estudantes de 12 a 18 anos da rede escolar pública e privada.

“Com dados bem reais iremos implementar a política de saúde coletiva municipal”, explica Edmundo Chaves Muniz, presidente do conselho que aponta que a política da entidade visa além da prevenção e do tratamento, a colaboração com a repressão.

Outra função do conselho, fundado em 1987, mas que só agora começa a tormar corpo, será a fiscalização das atividades ditas antidrogas. Muitas escolas recebem visitas de grupos ou palestrantes, muitas vezes de outras localidades, que querem de fato vender produtos, camisetas, chaveiros, bonés, e ao invés de ajudar acabam atrapalhando o trabalho de entidades sérias.

Na última quarta-feira, membros do conselho, da Polícia Militar, vereadores, representantes da Igreja e entidades assistenciais estiveram reunidos para debater o problema e as ações que serão implementadas no município com o presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, o psiquiatra Sérgio Dario Seibel.

Ele aponta que as campanhas de prevenção e combate às drogas precisam, além de causar impacto, criar uma consciência crítica através der outras ações além de outdoors e comerciais de tevê.

Ele também atenta para a facilidade de se conseguir a drogas no interior. Existe no conselho uma tese de um médico que revela que a droga que chega à Capital, vinda do Mato Grosso e de países sul-americanos, passam antes pelas cidades estratégicas no Interior Paulista (uma delas seria Bauru), onde os índices de criminalidade são menores e a facilidade para obter qualquer tipo entorpecente.

A rota é a estrada, estar perto dela é ter aumentado os índices de problemas com o narcotráfico. (LZ)

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