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Fraternidade demorada

N. Serra
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A segunda grande guerra mundial, que conteve, inapelavelmente, o progresso da maioria dos países do mundo, já saiu da memória da quase totalidade dos povos que, perto ou longe, usando suas antenas, acompanharam o alastramento da hecatombe, bem como os enormes danos humanos e materiais dela decorrentes. Bateu asas, perdeu-se nas nuvens ou nos espaços e se apagou quase por completo, como fotografias expostas aos raios solares indefensáveis. Nem negativos delas restaram para, se necessário, reproduzirem aspectos da vultosa catástrofe, pois já decorreu tanto tempo... A verdade, porém, e que logo depois dos derradeiros lampejos dos canhões e das bombas sofisticadas, algumas daquelas nações foram concretizando reações corajosas nas suas áreas e, por essa forma, voltaram a se recuperar parcialmente. Em conseqüência, ressurgiram vigorosamente no grande universo várias daquelas zonas subdesenvolvidas que agasalhavam aproximadamente, no seu todo, a fábula de três quartos da população mundial. Assim, muitos torrões afetados pelas divergências, se recompuseram, adotaram nova mentalidade político-administrativa e passaram a aplicar em suas paisagens algumas arrancadas humanas e materiais, ao embalo das quais galgaram degraus algo elevados, marginalizando o paupérrimo regime econômico em que se mantinham desde o nascedouro.

Algumas subdesenvolvidas conquistaram então, no após guerra, o “status” de desenvolvidas. Outras, porém, não tiveram a mesma felicidade. Continuaram na indigência, deixando suas locomotivas estacionadas na estação em que antes se encontravam, por absoluta falta de fogo... Bauru foi galardoada, pois, como outras poucas irmãs, logrou algum crescimento. Mas, muitos problemas estão longe de serem resolvidos imediatamente como seria ideal, porque ainda falta aos povos e seus administradores plena consciência da seriedade e do objetivismo exigidos por sua problemática, em meio à qual explodem, infelizmente, desmandos públicos e privados, acrescidos de divergências profissionais, crimes políticos e, além do mais, seqüestros, assaltos, latrocínios e outras modalidades. O que se observa, em conclusão, é que as desilusões e os malogros vão minando os esforços manifestos em diversificadas sociedades internacionais, em virtude do que o nível de vida desses territórios continua baixo, a ponto de exigir melhorias substanciais, para as quais precisam, então, partir urgentemente, pois têm muita gente passando os horrores da fome. Urge que comecem logo a tentar atrair a fraternidade dos outros, daqueles que nutrem condições de socorrê-los. “Nada é mais frágil que as amizades humanas: levam muitos anos para se formarem e em um momento só se desfazem” - afirma o filósofo Bourdalone. E nós completamos: “Não teria de ser assim...!” (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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