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Rajada causa mais estragos, diz meteorologista

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Às 15h25 de ontem, a velocidade do vento em Bauru chegou a 54km/h, segundo medição do Instituto de Pesquisa Meteorológica (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Apesar da velocidade bem acima do normal na cidade, o que causou a queda da torre de telefonia, várias árvores e estruturas metálicas foi a aceleração rápida do vento, o que configura a rajada, explica o meteorologista Marco Antonio Jusevicius.

“Há localidades no mundo que a velocidade constante do vento é na casa dos 50km/h e não causa problemas. Mas o que ocorreu hoje (ontem) em Bauru foi uma aceleração muito rápida do vento, o que chamamos de rajada, e que realmente causa estragos. Na rajada, a velocidade do vento pode, em segundos, passar de 10km/h para 50km/h. E essa alteração rápida é que causa estragos”, explica.

Comparando a velocidade do vento à desenvolvida pelos veículos, Jusevicius lembra que o carro pode chegar a 100km/h sem problemas para o ocupante. No entanto, se o carro está quase parado e em poucos segundos atinge 100km/h, o condutor sofre um impacto. O problema é a alta aceleração em pouco tempo”, frisa.

O meteorologista conta que a ocorrência de rajada é relativamente comum sempre que em há frente fria em atuação. Porém, frisa, nem sempre a rajada atinge áreas urbanas, onde os estragos acabam sendo maiores. O IPMet detectou o temporal cerca de uma hora antes ontem e informou a Defesa Civil.

Das 9h às 17h de ontem, caíram 16,5 milímetros de chuva em Bauru - a chuva da tarde, de 20 minutos, durante a rajada, correspondeu à praticamente todo o acumulado do dia. Por esse motivo, segundo Jusevicius, apesar do índice baixo, a chuva foi considerada de forte intensidade. “Nosso padrão é de uma hora. Se tivesse chovido por uma hora na mesma intensidade que choveu nos 20 minutos, teríamos 49 milímetros acumulados, o que é uma chuva de forte intensidade”, ressalta.

A chuva acumulada ontem foi a maior dos últimos dois meses - março e abril. Apesar de ajudar, o meteorologista explica que a chuva de ontem não resolve o problema da agricultura com a estiagem. “Essa chuva até que foi intensa, mas muito rápida. Chuvas desse tipo não resolvem porque a água não chega a ser absorvida e corre sobre o solo, causando erosão. Para agricultura, o ideal são chuvas mais leves e continuadas”, completa.

A previsão do IPMet para hoje é de sol pela manhã com possibilidade de pancadas de chuva à tarde. A frente fria, que causou o temporal ontem, deve deslocar-se para o Rio de Janeiro. As temperaturas ficam amenas.

Já para amanhã, a tendência é de sol com poucas nuvens, sem chuva. Na segunda-feira deve chover fraco no litoral, vales do Paraíba e Ribeira e Grande São Paulo. No restante do Estado, a expectativa é de sol com nebulosidade variável, sem chuva.

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