Política

Bauru sediará Congresso de Arbitragem

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru vai sediar o 1º Congresso Internacional de Arbitragem, evento que será realizado do dia 23 a 25 deste mês, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o coordenador do congresso, Natan Chaves, o objetivo é uniformizar as ações entre os tribunais arbitrais do País e divulgá-los como meio alternativo, rápido e seguro de justiça.

O evento vai contar com a participação de palestrantes da Espanha, Portugal, Peru e Argentina, países que há décadas oferecem à sociedade tribunais arbitrais para resolver pendências judiciais. Para Chaves, esse método de justiça deve ser aperfeiçoado no Brasil para atuar junto, por exemplo, ao Mercosul, Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e ao Mercado Comum Europeu.

“Assim, o congresso que será realizado em Bauru se configura como a atual confirmação de futuro imediato, com enormes vantagens para a comunidade”, avalia. O coordenador do evento informa que o Tribunal Arbitral de Bauru, da qual é presidente, vai firmar parceria com congêneres da Espanha e Portugal.

“Isso quer dizer que as empresas portuguesas e espanholas vão poder se utilizar do nosso tribunal para resolver suas pendências judiciais. O mesmo vai valer para as companhias brasileiras que estão instaladas nesses países.”

Chaves diz que os tribunais arbitrais no Brasil ainda estão “engatinhando” em relação aos Estados Unidos e Europa. “No Brasil, os 80 tribunais foram instalados há pouco mais de um ano, bem diferente dos Estados Unidos, onde já existem há cerca de 40 anos.”

Ele acredita que o brasileiro deverá levar dez anos para se enquadrar na cultura dos tribunais arbitrais. “Será mais ou menos como ocorreu com a implantação do Código de Defesa do Consumidor. Ninguém poderia imaginar em processar uma grande rede de supermercados. Hojé é só procurar o Procon para fazer isso.”

Os tribunais arbitrais foram criados para dar uma alternativa rápida e segura as pessoas com pendências judiciais e que não querem percorrer o caminho burocrático e demorado da Justiça oficial. Na média, um processo demora, atualmente, seis anos para ter sua sentença final. Pela lei, os tribunais arbitrais são obrigados a dar sentença final em 180 dias (seis meses).

Segundo Chaves, em Bauru a média da sentença final tem demorado 45 dias. “Mas isso ocorre porque o número de processos tramitando ainda é muito pequeno. Aos poucos, o brasileiro perceberá que o tribunal arbitral é viável do ponto de vista do custo, rapidez e qualidade.”

Veja quem são os palestrantes

• Dra. Fátima Nancy Andrighi - ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

• Dr. Adolfo Braga - presidente do Conselho Nacional de Instituições de Mediação e Arbitragem

• Dr. Gilberto Gomes - secretário nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

• Dr. Antonio Vieira da Silva - secretário-geral da Câmara Arbitral de Lisboa/Portugal

• Dr. José Antonio Garcia Álvaro - presidente da Aryme de Madri/Espanha

• Dr. Maurício Chabaneix Belling - professor de Direito Mercantil da Universidade San Pablo/Peru

• Dra. Selma Maria Ferreira Lemes - diretora da Câmara de Arbitragem da Fiesp e co-autora da lei que criou o Tribunal Arbitral no Brasil

• Dra. Maria Alba Aiello de Almeida - Secretaria Acadêmica Mediadora da Equipo IMCA/Argentina

• Dr. Mário de Almeida - presidente e árbitro da Equipo IMCA de Buenos Aires/Argentina

• Dr. Nivaldo Cleto - presidente da Junta Comercial do Estado de São Paulo

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