A Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru pretende implantar equipamentos de segurança em 33 escolas das 50 da rede estadual da cidade até o final desse semestre letivo. A liberação do aparato está incluída no Plano de Segurança nas Escolas, anunciado terça-feira pelo governador Geraldo Alckmin.
De acordo com o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, como o Estado não terá condições de equipar todas as escolas públicas de uma só vez, está sendo feito um levantamento dos estabelecimentos mais prioritários. “Estamos fazendo uma análise dos índices de violência de todas as escolas da nossa diretoria para saber quais as que necessitam do equipamento primeiroâ€, explica.
O levantamento ainda não estava concluído até ontem à noite, mas o dirigente acredita que inicialmente Bauru vai precisar de câmera de video em mais oito escolas e alarmes monitorados em outros 11 estabelecimentos.
Atualmente, três escolas - Ernesto Monte, João Maringoni e Vera Campagnani - possuem câmera de video para observar a movimentação interna. Outras nove estão equipadas com alarme monitorado, o que garante a segurança principalmente contra furtos. “Quando o alarme dispara, o sinal é dado na casa da diretora e na empresa que cuida da segurança do colégioâ€, explica Vieira.
Para priorizar a instalação dos equipamentos de segurança, o dirigente diz que vai levar em consideração o número de portarias de acesso das escolas e o índice de violência registrado em cada uma.
Ele adiantou que escolas como Azarias Leite, na Vila Carolina, e Walter Barreto Melchert, no Núcleo Octávio Rasi, poderão ser incluídas na lista de prioridades.
O Plano de Segurança nas Escolas, lançado pelo governo do Estado na última terça-feira, tem por objetivo reprimir a violência dentro dos muros dos colégios. Para isso, a idéia é instalar câmeras de video e alarmes em mais 2.000 escolas do Estado. No total, o projeto tem dez ações, que deverão começar a ser executadas neste mês.
Outro ponto do plano diz respeito à contratação emergencial de 2.000 vigias exclusivamente para a ronda escolar. De acordo com informações dadas pelo governador Geraldo Alckmin à imprensa, algumas unidades escolares terão um ou dois policiais fixos. Em outras, um carro da polícia passará em horários considerados críticos. Os vigias serão contratados a partir do mês que vem.
Faz parte do plano ainda a implantação de zeladores policiais em 997 estabelecimentos públicos do Estado.
O secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, não descarta a hipótese de implantar revista aos alunos na porta da escola. Seria uma forma de evitar que os estudantes entrem armados no colégio.
Existe ainda a possibilidade de se instalar catracas eletrônicas, permitindo o acesso apenas a quem possua cartões magnéticos. A idéia deverá ser testada em 50 escolas nos próximos meses.
No total, o governo estadual deverá investir R$ 98 milhões no plano, sendo que R$ 82 milhões virão da Secretaria de Educação e R$ 16 milhões, da Secretaria de Segurança Pública.
Solução é paliativa, segundo Apeoesp
Para a diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Luzia Conceição Quinezi, o anúncio do Plano de Segurança nas Escolas não passa de “pacote de marketing†do governo.
Ela destaca que a ação não aponta soluções para o problema da segurança, utilizando-se apenas da repressão policial para controlar a violência. “A vigilância e o controle são necessários, mas insuficientes. O que precisamos é de um projeto psicopedagógico mais aprofundadoâ€, destaca.
De acordo com ela, o governo não está levando em consideração as raízes do problema, que são justamente, em sua opinião, a adoção de políticas de alteração do ensino. “As medidas tomadas pelo governo nos últimos anos são responsáveis, em grande parte, pelo quadro de violência que existe hojeâ€, frisa.
Entre elas, Luzia cita a aprovação automática. “Hoje em dia, todo o mundo é aprovado na sala de aula. Isso acabou com a idéia de respeito junto a professores e colegasâ€, salienta a diretora da Apeoesp.
O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, acredita que o plano vai resolver de forma eficaz a violência dentro dos muros da escola. No entanto, ele ressalta que o grande problema ainda está no entorno dos colégios. “Muita coisa tem que ser feita externamente, mas fazendo essas mudanças internas já é um enorme passo.â€
Ele explica que o fato dos professores conscientizarem os alunos e a escola promover ações de cidadania, atraindo os estudantes para o seu interior, vai ajudar a afastar a violência ao redor do estabelecimento.
Como exemplo, Vieira cita a escola estadual Francisco Alves Brizola, localizada no Núcleo Geisel. De acordo com ele, a diretoria do colégio convocou os pais a ficarem nos arredores da escola no horário da entrada e da saída. “Isso já inibe a ação de vândalos e marginaisâ€, salienta.
O dirigente de ensino destaca que, para que o Plano de Segurança obtenha sucesso, será necessária a participação e o envolvimento de toda a comunidade. “De que adianta ter o plano se o bar vizinho da escola fornece bebidas alcoólicas? Tem que haver uma conscientização geral.â€
A implantação de ações mais ostensivas nas escolas está gerando muitas polêmicas. Uma delas é quanto aos resultados práticos.
A diretora da Apeoesp teme que as ações de vigilância, como as revistas aos alunos previstas pelo secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, dêem um efeito contrário. “Isso poderá revoltar os alunos, causar indignação e gerar uma violência ainda maiorâ€, prevê.
De acordo com o dirigente de ensino, as medidas mais radicais poderão ocasionar algumas polêmicas, mas se elas não forem tomadas, o resultado poderá ser ainda pior. “Em casos extremos, se não for adotada uma ação radical, não tem como evitar uma violência ainda maiorâ€, ressalta.
Vieira não acredita que seja necessário implantar revistas nas escolas de Bauru. Mas, não descarta a possibilidade. “Se houver necessidade, vamos fazerâ€, frisa.
Fala-povo
Você acredita que o Plano de Segurança nas Escolas vai ser eficaz?
“Eu acho que vai ajudar muito. Hoje em dia, está muito perigoso nas escolas. Agora que tem guarda aqui na escola (Escola Estadual Luiz Zuiani), eu não tenho medo mais de vir na aula; antes, eu tinhaâ€, Natália Aparecida Fassina, 16 anos, 3.º colegial.
“Penso que é um primeiro passo. Não resolve totalmente o problema, mas já é alguma coisa. Mesmo se os alunos tiverem que ser revistados, eu acho válido. Prevenir a violência é o que importaâ€, Juliana dos Santos Pereira, 18 anos, 3.º colegial.
“Eu acho que o plano vai ajudar a melhorar a segurança nas escolas. A revista será importante para coibir a violência. Quem não deve, não teme ser revistadoâ€, Oséias Franco Pietro Ferreira, 16 anos, 1.º colegial.
“Na minha opinião, esse plano vai ser bastante positivo. Aqui nessa escola (EE Luiz Zuiani), depois que colocaram um guarda na porta, melhorou bastante a segurança. As brigas praticamente acabaram. Todas as escolas deveriam ter policiamentoâ€, Bruno Henrique Peres, 16 anos, 1.º colegial.
“Eu não acho legal o fato de ter câmeras na escola. Isso acaba com a privacidade das pessoas. Acredito que isso não vai resolver totalmente a violência nas escolas e os alunos poderão ficar revoltados pelo fato de estarem sendo vigiados e revistadosâ€, Patrícia da Silva Roque, 17 anos, 3.º colegial.
“Para mim, o plano vai ajudar a diminuir a violência nas escolas. Eu não me importo de passar por revista, acho válido. O problema é que, quando a pessoa quer aprontar, ela passa por cima da proteção policial ou de qualquer outro mecanismoâ€, Patrícia Herrero Mussi, 24 anos, 2.º colegial supletivo.