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Paradoxos dos hemisférios


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Responsáveis pela agricultura em países europeus têm-se reunido, nos últimos tempos, em locais escolhidos, para debater sobre a necessidade de uma substancial reforma agrária, analisando a realidade da espécie nas respectivas áreas. Mas, fontes ligadas aos encontros já anteciparam que os esquemas em discussão para a lavoura européia poderão ser aproveitados, guardadas as circunstâncias e as devidas proporções, por nações de outros tantos hemisférios, não só nos campos da melhoria das espécies como nos dos imprescindíveis aumentos de produção. O empenho é bem pronunciado e, conseqüentemente, denuncia que os órgãos governamentais das regiões desenvolvidas do Velho Mundo encaram o problema com muita preocupação, divisando claramente a possibilidade de seus povos virem a não ter alimentos para comprar, em futuro não muito distante, na quantidade ideal exigida para seu consumo. Isto nos sugere a eclosão pura e simples da aproximação de um incisivo paradoxo: quando eles não mais tiverem coisas para adquirir, nós, pobres mortais, disseminados nos países subdesenvolvidos ou pouco desenvolvidos, não teremos com que comprar porque os alimentos aqui produzidos, além de insuficientes, deverão estar com seus preços na “hora da morte”. Quem já estiver acostumado a passar fome, não sentirá muito! Mas, quem ainda não tiver adquirido o hábito, vai penar um pouco mais... O prenúncio da triste realidade que, desde logo, atormenta aquelas distantes regiões, exige que também, urgentemente, os demais países do imenso universo analisem suas atuais potencialidades e percebam que, estando cercados pelos mesmos perigos, possam ter necessidade de medidas preventivas imediatas, antes que o mal se manifeste ostensivamente e provoque aqui e ali os graves sintomas de uma enfermidade congênita e, logicamente, alguns milhões de vítimas... Então, imitando os naturais receios dos irmãos europeus, os ministros e demais assessores da agricultura do Hemisfério Sul precisam começar a se reunir também, não, naturalmente, para enxergar o que seus países têm para ingerir hoje, mas para tentar adivinhar o que eles não terão no porvir. Não é melhor prevenir que remediar, como adverte o velho brocardo? E o paradoxo não pode, de maneira alguma, ser simplesmente olvidado pelos que não têm condições de enfrentá-lo, sob pena de se auto-sacrificarem... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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