A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) acordou, ontem, com a Caixa Econômica Federal (CEF) a realização de um plano de demissões e de recuperação de créditos para evitar o fechamento da empresa de economia mista. Entre as medidas, a Cohab tem 30 dias para realizar um plano de redução nas despesas sob pena de sofrer pedido de intervenção junto ao Banco Central (BC). A superintendência da CEF concordou em não recorrer à Justiça para cobrar dívida da companhia se o compromisso for cumprido.
O prefeito Nilson Costa (PPS) deu anuência às medidas. A presidência da companhia não indicou o número de funcionários que vão perder o emprego, mas informou que a proposta é manter uma estrutura que atenda apenas aos setores prioritários, adequando o custo às despesas. A companhia arrecada cerca de R$ 250 mil/mês e gasta, atualmente, pouco mais de R$ 500 mil. O acordo assinado ontem impõe 30 dias para que a despesa não ultrapasse a arrecadação.
Participaram da reunião de ontem e assinaram o documento o gerente nacional da CEF, Sérgio Gomes, o representante federal do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Anacleto Souza, o prefeito Nilson Costa, o representante dos mutuários, Paulo Ferreira, o membro do Sindicato dos Contabilistas, Cris Moreno, o superintendente regional da CEF, Miguel Sampaio Jr., e o presidente da Cohab, Constante Mogioni.
Nilson Costa confirmou que da reunião resultou um pré-acordo para resolver os problemas da Cohab, reunindo membros da comissão instituída pela Câmara que analisa o assunto, da CEF, dos mutuários e da própria companhia. “Este plano vai nortear as condições para que a Cohab não precise fechar suas portas. Estamos diante de uma tentativa de salvação de um doente que está na UTI e há que se aplicar os remédios adequados sob pena do doente vir a falecerâ€, diz.
O prefeito informa que apóia a readequação do quadro de pessoal da companhia como forma de salvá-la. “Cabe à diretoria da Cohab implementar o que for necessário. A tentativa de salvar a Cohab inclui demissões. A gente lamenta que haja essa necessidade mas não há outro remédio senão esse que foi acatado pelos representantes do órgão da CEF, e do fundo de garantia, que são os credores. Não cabe à companhia devedora senão se adequar e atender as medidasâ€, menciona.
Para Nilson, não haverá necessidade da Cohab-Bauru fechar. “O próprio representante da CEF disse aqui que a companhia poderá se manter com o tempo e a adequaçãoâ€, cita.
Recuperação de créditos
Para o superintendente da CEF, Miguel Sampaio Jr., a situação é de revitalização da companhia com a recuperação de créditos e o incentivo à adimplência.
Porém, Sampaio deixou claro ao prefeito que a companhia terá que tomar medidas imediatas. “A reunião foi um grande passo para a preservação da Cohab e para que ela seja viabilizada. Nós dissemos ao prefeito que temos uma proposta de encontro de contas. Dissemos ao prefeito e os demais representantes que da forma como está a Cohab não tem condições de se sustentarâ€, conta.
O superintendente apontou como a CEF vai ajudar no processo. “Existem muitos serviços a fazer, porque a companhia tem créditos. Então, vamos trabalhar com o pilar que é a habilitação de contratos para que a Cohab tenha esse crédito. E também vamos intensificar a cobrança porque não se admite mais a inadimplência de 66%. Vamos intensificar as negociações, inclusive com a utilização do fundo de garantia para viabilizar as novas liquidações para que a companhia tenha crédito e volte a ser saldavelâ€, expôs.
Sampaio deu o tom da consequência se o acordo assinado ontem não for cumprido. “Eu disse ao prefeito que se o acordo não for cumprido a Cohab sofrerá intervenção do Banco Central, o que é muito pior, é drástico. A intenção do fundo de garantia da CEF não é essa. Queremos a Cohab viável e, quem sabe, tornando-se uma agência de desenvolvimento com serviços diferenciados. Estamos dando um tratamento diferenciado à Cohab-Bauru e é preciso ficar claro issoâ€, finaliza.