Técnicos da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de São Paulo chegaram a Bauru ontem à tarde e devem iniciar hoje, logo pela manhã, a coleta de amostras de solo, água e sedimentos nas proximidades do setor metalúrgico da Ajax para testes da presença de chumbo. Os órgãos de saúde aguardam o resultado dos testes de solo para avaliar se os moradores vizinhos à fábrica precisam ou não desocupar a área.
O trabalho estava marcado para começar ontem, mas a equipe chegou a Bauru já no final da tarde. “A coleta das amostras começará pelo Jardim dos Tangarás, logo pela manhãâ€, conta Rogério Chini, gerente da Agência Ambiental de Bauru. A previsão é coletar solo, água e sedimentos de 20 a 30 pontos diferentes, num raio de um quilômetro da fábrica de baterias e no Zoológico Municipal de Bauru.
A análise das amostras será feita pela própria Cetesb, em São Paulo. O setor metalúrgico da empresa foi interditado pela Cetesb no final de janeiro após constatação da presença de chumbo em testes de solo, água e ar realizados nas proximidades da unidade. A alta concentração do chumbo no organismo pode causar uma doença chamada saturnismo, que leva a alterações neurológicas.
A pedido da Cetesb, as secretarias municipal e estadual de saúde estão coletando sangue de crianças de até 12 anos e gestantes que moram no raio de um quilômetro da empresa. Até o último dia 9, os órgãos de saúde tinham coletado sangue de 513 pessoas. Dos 272 resultados já divulgados, 131 crianças e uma gestante apresentaram índice acima de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue, índice-limite segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
As crianças estão sendo atendidas por uma equipe multidisciplinar no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho. Por enquanto, os especialistas ainda não constataram alterações neurológicas que possam ser creditadas ao chumbo.
A Cetesb listou 28 itens do setor metalúrgico que precisam ser corrigidos para que a empresa possa ser liberada. A atividade do setor metalúrgico também está suspensa por ordem judicial. A Polícia Civil está apurando se houve crime ambiental e a responsabilidade dos órgãos ambientais fiscalizadores da empresa.
O delegado Dinair José da Silva, do 4.º Distrito Policial, que conduz o inquérito, está aguardando os laudos. “Já ouvimos representantes da Ajax, mães das crianças com alta dosagem de chumbo, do Vidágua e da Cetesb. Agora estamos aguardando cópias dos laudos feito pela Cetesb e dos exames de sangueâ€, diz.
Silva não descarta a hipótese de solicitar novos exames de sangue ao Instituto Médico Legal (IML). “Nós queremos que o IML nos esclareça sobre o índice de concentração de sangue máximo já que a empresa aponta um e os órgãos de saúde, outroâ€, conta. “Vamos apurar se houve crime ambiental e, se houve, quais as circunstâncias e fatores que permitiram chegar a essa situaçãoâ€, completa.