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Paz, amor e preguiça


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“Há dois municípios - Itaparica e Vera Cruz -, a ilha na verdade é uma entidade só, todos nela se consideram itaparicanos. Mas, dentro dessa unidade, há diversidade. Cada uma das dezenas de “terras” que se divide a ilha tem muitas características próprias, não só físicas como culturais.

Esta se gaba de ter a melhor praia e a mais famosa moqueca de siri mole; aquela ostenta a mais célebre casa de candomblé e os melhores canoeiros; aquela outra desafia qualquer um a produzir melhor marisco e a dar festa de largo tão animada com a sua; e por aí vai.

Tanto assim que muita gente que veio para a ilha e nunca mais saiu (é caso freqüente, corriqueiro mesmo), ainda não a conhece direito. A depender da sensibilidade e do interesse de cada um, há muito o que ver, conhecer e aprender na ilha.

Há um permanente curso intensivo da difícil arte de não fazer nada. Dizem os nativos que das areias da ilha se evola uma certa radioatividade, que induz à preguiça. Certo ou não, os prazeres da preguiça são uma espécie de marca registrada da ilha.

Não existe melhor lugar para namorar do que a ilha. Os nativos consideram isso uma verdade universalmente indiscutível, até porque tudo na ilha tem fama de afrodisíaco, a começar pelos mariscos, como o famoso sururu, capaz, segundo depoimentos generalizados, de ressuscitar qualquer casamento falido.

Sim. Paz, amor e preguiça. Melhor, só no paraíso lá de cima, porque o terrestre fica na ilha.”

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