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Discípulo do padre Quevedo desmistifica ‘sobrenaturais’

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Objetos que se movem sozinhos, imagens de santas que choram sangue, cirurgias ditas “espirituais”. Para o padre Juarez Silva Farias, 35 anos, esses fenômenos são explicados pela parapsicologia ou tratam-se de meros truques.

O padre Juarez, que se considera um discípulo direto do padre Oscar Quevedo - famoso por desvendar “mistérios” sobrenaturais na TV - promove dois encontros com o público na próxima semana em Bauru, segunda e terça-feira. O objetivo é esclarecer tais fenômenos, considerados “de outro mundo”, sob a luz da parapsicologia.

Há seis anos ele percorre cidades pelo Brasil catalogando fenômenos, transtornos paranormais, enfim, tudo que as pessoas consideram misterioso.

No Estado, ele veio conferir de perto as imagens que choravam sangue em Platina e Marília e a santa que chora sal e mel, em Mirassol.

Segundo o padre, casos como esses são autênticos fenômenos parapsicológicos. “Tudo isso segue um mecanismo psicológico. Diante do sofrimento da pessoa, ela acha que a santa vai chorar. O sangue sai do corpo dela, ultrapassa a pele numa velocidade igual à da luz e materializa na imagem. Se examinarmos, veremos que é sangue humano”, explica.

O padre frisa que existem diferenças entre fé e fenômenos de causas psíquicas e emocionais. “Não se pode confundir as verdades da fé, que são experiências religiosa, com aquilo que é psíquico, emocional. A parapsicologia explica toda aquela histeria religiosa que ocorre nas seitas, por exemplo”.

Tese

Juarez Farias defenderá tese relacionada ao tema no dia 10 de junho, na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. “Vou mostrar que os fenômenos são sempre espontâneos e incontroláveis. Ninguém faz fenômeno com hora marcada porque ninguém domina a paranormalidade”.

Assim, o padre pretende desmistificar casos em que pessoas abusam da crença das pessoas usando truques, e o pior, ainda cobram por isso. “Vou mostrar que é preciso analisar quando o fenômeno é autêntico e quando se trata de um truque. As duas possibilidades existem”, esclarece.

“Quero mostrar que a cura pela fé existe, seriam os milagres, que são raros, mas acontecem. O contrário, a fé pela cura, é o que essas seitas fazem por aí. As pessoas vêm, se impressionam e acham que é algo de paranormal que está acontecendo”, acrescenta.

Em relação à mediunidade, Juarez se posiciona contra o desenvolvimento do que os espíritas denominam como “dom”. “Por trás de um fenômeno parapsicológico há sempre um conflito psicológico. Ninguém desencadeia a paranormalidade simplesmente porque é especial. Nunca se deve aflorar esse fenômeno. Em todos os centros espíritas fala-se que as pessoas devem desenvolver essa paranormalidade. Isso é um convite à loucura. Mexer com o inconsciente, uma parte que você não consegue dominar, acaba gerando transtornos psicofísicos diversos”, defende.

Mágicas

Na conferência que proferirá em Bauru, o padre revelará truques bastante usados para parecerem fenômenos paranormais, como adivinhações de números de identidade, memória para muitas palavras e outras “mágicas”.

Juarez pede para que pessoas que conheçam casos de fenômenos como assombração, fantasmas ou milagres que levem seus relatos. Um telefone também está à disposição para esclarecimento do público: (14) 232-3425.

Serviço

Conferências com o padre Juarez Farias, dias 20 e 21, 19h30 às 22h, no salão da Paróquia Santa Teresinha. Colaboração: R$ 5,00. Praça Rodrigues de Abreu, 2-55. Informações: (14) 232-3425.

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