Geral

Evangélicos já são 10% da população

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

O número de evangélicos no País cresceu consideravelmente na última década. De acordo com dados do Censo 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1991 para 2000, o número de adeptos da religião passou de 9,05% para 15,41%, ou seja, um aumento de 70,7%. Em Bauru, as estimativas dão conta de que atualmente existam de 35 mil a 40 mil protestantes.

Os dados regionais ainda não foram disponibilizados pelo órgão. Essa projeção é feita por pastores das igrejas da cidade, baseado na quantidade de templos registrados. “Temos cerca de 400 igrejas evangélicas em Bauru”, destaca Edson Valentin, membro do Conselho de Pastores Evangélicos e pastor da Igreja Batista Bereana.

Ele acredita que Bauru tenha acompanhado os índices de crescimento registrados no País. “Cada templo tem uma média de 100 fiéis. Alguns chegam a ter mais de mil pessoas freqüentando, enquanto outros são pequenos, tem menos de 50 membros”, explica.

Um dos reflexos desse fortalecimento está na política. Na Câmara Municipal de Bauru, dos 21 vereadores, oito são evangélicos.

O interesse das pessoas pela religião protestante se deu por diversos fatores. Um deles pode ser atribuído a massificação da informação através da mídia.

Igrejas evangélicas começaram a se fazer presente em emissoras de rádio e, no cume desse aspecto, chegaram a adquirir um canal de televisão aberto, transmitido para todo o País. Como é o caso da TV Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Valentin salienta que antigamente os evangélicos eram tímidos e procuravam não expor demais a religião. A partir do momento que os cultos começaram a ser transmitido pela televisão, as pessoas passaram a se identificar com a religião. “Antes dessa exposição na mídia, existia um preconceito grande com relação a quem era evangélico. Chamavam as pessoas de ‘crente’ de forma pejorativa e elas eram consideradas minoria”, esclarece o pastor.

Com o advento das igrejas neopentecostais, que têm um modo de pregar a palavra de Deus mais ousado e moderno, os seguidores da religião passaram a se expor mais e a trazer outros membros para o templo.

Transparência

Para o pastor Eli Parreira, dirigente da Igreja Cristã Renovada, de cunho Pentecostal, a transmissão dos cultos através do rádio e, principalmente da tevê, deu um grande impulso para o crescimento da religião. “Isso torna o ritual transparente e as pessoas podem conhecer como funciona o culto.”

Ele fala isso com base em experiência própria. A transmissão do culto da igreja pela TV Preve fez com que muitas pessoas se interessassem pela religião. “Ajudou bastante a divulgar a nossa pregação”, frisa o pastor.

Igreja Católica diz que não está perdendo fiéis

A Igreja Católica ainda ocupa uma posição de destaque entre os brasileiros. De acordo com dados do Censo 2000, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 124.976.912 de pessoas que se declararam católicas (73,60% da população), contra 26.166.930 de evangélicos e 2.337.432 espíritas.

De acordo com Dom Luiz Antonio Guedes, bispo diocesano de Bauru, o crescimento do número de evangélicos é uma tendência natural das mudanças sociais. Segundo ele, o catolicismo foi a religião oficial do Brasil na monarquia. “Ser católico era quase como ser brasileiro”, destaca.

Mesmo depois da declaração da república, as pessoas tinham por tradição dizer que eram católicas, mesmo que não praticassem. “Do total de pessoas que se declaram católicas hoje em dia, apenas 20% são praticantes. O restante se intitula somente por causa da tradição brasileira”, explica o bispo.

De acordo com ele, esses 80% que se dizem católicos não-praticantes são aqueles que estão à disposição de todas as religiões, sejam elas evangélicas ou até mesmo católicas. “Essas pessoas merecem atenção especial, pois são fiéis que podem se transformar em praticantes com a evangelização.”

Dom Luiz explica que a diocese de Bauru tem quatro programas pastorais com o objetivo de interagir com a comunidade e criar uma relação mais próxima com essas pessoas que são católicas apenas por tradição.

Ele diz que a Igreja está em busca de qualidade e não apenas de quantidade. â€œÉ claro que o crescimento do número de fiéis é muito importante, mas não adianta nada ter uma igreja lotada, se isso não se refletir na construção do reino de Deus na Terra”, enfatiza.

Para conseguir atrair e manter os seus seguidores, a Igreja tem investido em iniciativas populares, como abrir-se para cultos mais dinâmicos e repletos de emoção, conhecido como movimento carismático, muito semelhante aos rituais evangélicos.

Outro ponto destacado por Dom Luiz é a mudança na evangelização. “O enfoque da catequese está saindo da área infantil e voltando-se para os adultos.”

Ele ressalta que os católicos e os evangélicos não são adversários lutando para arrebanhar o maior número de “ovelhas”, mas sim irmãos que buscam Deus, cada qual à sua maneira.

Comentários

Comentários