As atividades no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) serão suspensas hoje, novamente. A decisão foi tomada durante assembléia unificada realizada ontem entre professores, estudantes e funcionários, da qual participaram cerca de 300 pessoas. O motivo é protestar contra a proposta do Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp), de oferecer 6,43% de reajuste salarial aos docentes. A reivindicação é de 16%.
A contra-proposta do Cruesp foi apresentada no último dia 17. Foi a primeira rodada de negociações realizada e só ocorreu depois que professores, alunos e funcionários (cerca de 250 pessoas de oito câmpus da Unesp) fizeram um protesto em frente ao prédio da Reitoria da universidade, em São Paulo, na quinta-feira passada. A pauta de reivindicações da categoria foi protocolada no dia 16 de abril.
De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) em Bauru, Milton Vieira do Prado Júnior, para hoje está marcada a segunda rodada de negociações com o Cruesp. “Decidimos paralisar as atividades para protestar contra a proposta vergonhosa de reajuste do Cruesp e como forma de pressionar o conselho a melhorar essa oferta. Ninguém vai aceitar reajuste de 6,43%â€, afirma Prado Júnior.
Até o final da tarde de ontem, as assembléias realizadas nos câmpus da Unesp em Marília, Rio Claro e Ilha Solteira também deliberaram a favor da paralisação das atividades nesta quarta-feira. Segundo o presidente da Adunesp, o Cruesp não aceitou ter representantes dos estudantes nas negociações. Os alunos de Bauru querem a construção de moradias estudantis e que o restaurante universitário seja subsidiado pela Reitoria para baratear o custo das refeições.
Greve possível
Prado Júnior diz que na próxima segunda-feira será realizada uma nova assembléia em todos os câmpus para avaliar o movimento. Dependendo do resultado das negociações de hoje, existe a possibilidade de uma greve ser iniciada. “Se não houver avanço nas negociações, na semana que vem poderemos decretar greve. Essa possibilidade inclui a Unicamp e a USPâ€, diz o presidente da Adunesp.
A assembléia de ontem também aprovou a elaboração de uma moção de repúdio que será entregue ao Cruesp por não ter sido aceita a participação de estudantes nas negociações. Também ficou definido que os docentes apoiarão o movimento dos alunos da Unesp, que enviarão uma carta de reivindicações à Reitoria da instituição.
Hoje, para marcar o dia de paralisação no câmpus de Bauru, será dada continuidade à série de debates sobre o projeto do Cruesp de ampliação de vagas para professores, conforme ocorreu no último dia 16.