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Vinho: um prazer a ser desvendado

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Tentar saber quando o homem começou a transformar uvas em vinho é uma tarefa tão difícil quanto determinar quem foi o inventor da roda ou da escrita. A relação do homem com a mais mítica das bebidas tem milhares, talvez milhões de anos. Apesar de todo esse tempo, o vinho até hoje, em quase todo mundo, é considerado um prazer sofisticado, para poucos. Não deveria.

De acordo com o engenheiro civil e enófilo Luiz Ricardo Pereira Leite, a bebida é produzida com qualidade em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil, e pode ser apreciada nas mais diversas situações, até mesmo num churrasco.

Leite vai ministrar, hoje, às 20h, a palestra “Aprendendo com o Sommelier”, na qual pretende traçar um panorama sobre os vinhos produzidos na Itália - um dos berços mundiais da bebida. A palestra será realizada na sede na Sociedade Dante Alighieri, em Bauru.

Segundo o enófilo (termo que designa os apreciadores de vinho, também chamados do sinônimo francês, sommelier), o vinho está cercado de lendas e costumes populares que nem sempre são corretos. O segredo da combinação perfeita com diferentes pratos é um bom exemplo.

Até quem não entende muito sobre o assunto na hora de opinar sobre que tipo de vinhos degustar com tal alimento arrisca a frase: “Os tintos vão com as carnes vermelhas, os brancos vão com as carnes de frango e com o peixe”. A colocação não deixa de ser verdadeira de uma modo geral, mas a compatibilização eno-gastronômica, ou seja, a combinação do vinho com a comida, pode revelar nuances mais profundas.

“O churrasco, por exemplo, é sempre acompanhado de cerveja ou chope. Só que essas bebidas não combinam com carne, que tem uma textura muito forte e sempre passa por cima da cerveja”, diz o enófilo.

Segundo Leite, o vinho tinto encorpado é o melhor acompanhamento para a carne porque mantém com ela um equilíbrio de sabores. â€œÉ a mesma razão pela qual não se toma um vinho tinto com peixe. A bebida vai acabar passando por cima”, afirma.

Há exceções, como o bacalhau, por exemplo, que vai bem com um vinho branco mais encorpado ou com um tinto mais suave, e não com um vinho verde, como pregam alguns. O caviar com champanhe é outra combinação tida como correta que, na prática, não funciona a não ser que a bebida seja mais encorpada.

A ordem, na realidade, é experimentar. “Mesmo se tendo conhecimento profundo não se deve abrir mão de testar sempre, porque o mesmo prato com um molho diferente pode ter outra textura”, ensina o sommelier.

A idade certa

O dito popular diz que quando alguém ou alguma coisa se torna melhor com o tempo é como o vinho. É o conhecido bordão: “Quanto mais velho, melhor”. Essa talvez seja a maior e mais falsa das lendas sobre a bebida. A qualidade do vinho está intimamente ligada ao seu potencial de guarda e nem todos os tipos de vinhos podem ficar guardados em casa para serem consumidos no futuro.

De acordo com Leite, cerca de 95% dos vinhos existentes no mercado devem ser consumidos rapidamente. Os brancos de boa qualidade podem durar até um ano depois da data do engarrafamento. Para os tintos, o prazo sobe para três anos.

Os outros 5% restantes são os vinhos de qualidade com características de envelhecimento, ou seja, feitos para melhorar com o tempo. O fator que determina essa evolução é o amadurecimento do tanino, uma substância adstringente encontrada na uva.

O quanto um vinho pode durar depende muito de sua origem (local e qual safra) e também de como foi armazenado.

“O ideal é que o vinho seja guardado longe da luz, do calor e deitado. Dessa maneira, a rolha permanece úmida, não permitindo a entrada de ar nem esfarelando na hora em que é retirada”, explica o enófilo.

A temperatura perfeita para guardar um vinho fica por volta dos 15 graus, numa adega. Em casa, a melhor maneira de guardar pode ser na parte de baixo da geladeira. “Mas é preciso tirar a garrafa de lá algum tempo antes de tomar para que fique na temperatura adequada”, diz Leite.

O vinho tinto deve ser consumido com 20 graus e o branco, com 11 graus. Os vinhos de sobremesa podem ter 9 graus e os espumantes, 7 graus. “Não é errado pedir para o garçom resfriar um vinho num restaurante, mesmo que seja um tinto. A questão da temperatura ambiente é um mito. Isso vale na Europa porque lá é mais frio”, ensina.

Serviço

A palestra “Aprendendo com o Sommelier”, de Luiz Ricardo Pereira Leite, será realizada hoje, às 20 horas, na sede na Sociedade Dante Alighieri, em Bauru. Informações pelo telefone (14) 232-4536.

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