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Produção não é mais monopólio da Europa

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Durante muito tempo apenas os vinhos produzidos na França, Itália, Portugal e Alemanha gozavam da fama de serem os melhores do mundo. Hoje, essas regiões continuam fazendo bons - e alguns dos melhores - vinhos do planeta, mas não monopolizam mais a qualidade da bebida.

Países como os Estados Unidos, África do Sul, Austrália, Chile e até a Nova Zelândia produzem vinhos de altíssima qualidade que podem competir de igual para igual com os similares europeus. “Esses países são o que a gente chama de ‘novo mundo’ em termos de vinho”, diz o enófilo Luiz Ricardo Pereira Leite.

O Brasil está numa posição intermediária entre os países que produzem a bebida, mas em alguns anos, é capaz de ter vinhos muitos bons. Foi assim com a safra de 91, 99 e agora com a de 2002. O consumidor pode esperar por boas surpresas nacionais daqui alguns anos porque o número de vinícolas de qualidade no País está aumentando ano a ano.

O preconceito com o produto nacional pode ser deixado de lado na hora da compra também por uma questão financeira. “Às vezes um bom vinho nacional custa mais barato do que um estrangeiro da mesma qualidade”, destaca o sommelier.

Para quem preferir optar pelos vinhos do “novo mundo”, por uma questão de câmbio, o enófilo recomenda os chilenos, que acabam sendo mais baratos do que os outros. Para quem não está familiarizado com nomes, safras e marcas, o preço do vinho acaba sendo uma fonte de referência de qualidade.

â€œÉ muito difícil você ter um vinho caro que seja ruim e impossível encontrar um vinho muito barato com qualidade”, explica Leite. Por outro lado, às vezes é possível encontrar vinho com preços acessíveis que são melhores do que vinhos muito caros. O que, para o enófilo, é o verdadeiro prazer da descoberta.

“A gente que vive fazendo desgutação às cegas tem essas surpresas. A cultura do vinho é excitante por isso, você nunca tem uma coisa previsível. Tem que se aventurar para saber se é boa ou ruim. É preciso descobrir as coisas atraentes”, filosofa.

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