Regional

Megaoperação prende quatro policiais

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - As polícias Civil e Militar de Araraquara prenderam anteontem, numa megaoperação, três policiais militares e um carcereiro. Eles foram indiciados por tráfico de drogas, roubo de cargas, receptação dolosa, planejamento de assaltos a bancos e facilitação de fuga de detentos. Além deles, foram detidos três mulheres e um homem, que seria o motorista da quadrilha, e apreendidas sete armas e farta munição.

Participaram da megaoperação a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Polícia Militar (PM), Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e Forças Táticas de Araraquara, São Carlos, Taquaritinga e Matão. A ação envolveu aproximadamente 20 viaturas Blazer e 30 homens.

O bando também é acusado de incendiar, há dois anos, o prédio onde funcionava a Dise e de facilitar a fuga do assaltante Richard Tibério, conhecido como “Pão com Molho”. Dos três policiais detidos, dois estavam licenciados porque não concordaram com transferência para Capital, e um por restrições médicas. Já o carcereiro, que também é ex-militar, foi afastado recentemente porque já respondia a processo criminal.

No período da tarde, o titular da Delegacia de Investigações Gerais, Jesus Nazaré Romão, que comandou a megaoperação, foi ameaçado de morte.

A operação começou às 4h e foi intensificada por volta das 6h, quando foram iniciadas as apreensões. A quadrilha começou a ser investigada há aproximadamente dois anos, logo após o incêndio na Dise. Acredita-se que a quadrilha também esteja envolvida na onda de assassinatos de criminosos, ocorridos na cidade, que vitimaram cinco pessoas, entre assaltantes e traficantes.

Os três militares eram considerados bons policiais, inclusive um deles, Ednilson Palomino, já havia trabalhado com o titular da DIG.

As equipes iniciaram as prisões simultaneamente, em vários bairros, por volta das 6h. Todos os envolvidos foram surpreendidos e detidos em casa; alguns deles inclusive ainda estavam dormindo.

“Eles não tiveram nem tempo de reagir, invadimos as casas e demos o flagrante. Já estávamos investigando a quadrilha, que é grande e forte”, diz Romão.

Ele acredita que pelo menos 15 pessoas façam parte da quadrilha. O titular explica que o assaltante Francisco Baságlia Filho, conhecido como “Nelão” e provável líder do grupo, conseguiu fugir. Apesar dos indícios de ligação entre o bando e os últimos assassinatos, o líder estaria com medo de morrer. “Ele já estava foragido há algum tempo. É o medo de morrer”, avalia Romão.

Operação

O PM afastado por licença de dois anos, Ednilson Palomino, que trabalhou com o titular da DIG, foi preso em sua casa, no Jardim Vale do Sol, juntamente com a esposa Doralice Palomino. O outro policial Luiz Ricardo Femia também foi detido em sua residência, que fica no Jardim Água Branca.

A reportagem apurou que Femia foi detido na hora em que se preparava para levar os filhos para a escola. A mulher dele, não identificada, também estava em casa.

Enquanto as equipes se dividiam, o militar Marco Antônio Luquini, afastado por restrições médicas, era preso no Jardim Biagioni. Já o carcereiro Wilson Aparecido Bergonce, conhecido por “Bradock”, foi detido no Jardim Europa. Segundo Romão, Bergonce já cumpriu pena no presídio de Itapuí por roubo de carga em 2001.

Além dos homens e da esposa de Palomino, mais duas mulheres foram presas. Joselma Fernandes foi detida na Vila Xavier, e indiciada por participação. Um dos nomes fortes da quadrilha seria o da irmã do suposto líder do grupo, Adriana Baságlia, presa no Jardim Universal.

O motorista da quadrilha, Luís Carlos Maria, detido no Jardim Arangá, estava com uma arma calibre 9 milímetros e com um veículo Golf GL, placas FIH-9999 de Cotia (SP), furtado no ano passado. Maria foi indiciado também por receptação dolosa e porte ilegal de arma.

Prisão

Todos os oito envolvidos e indiciados anteontem estão presos. Os três policiais militares, que tinham mais de dez anos de profissão, foram levados para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo. O carcereiro Bergonce foi encaminhado para a Cadeia de Matão. O motorista Maria foi preso na Cadeia de Araraquara e as três mulheres, detidas na Cadeia Feminina de Rincão.

A maioria dos produtos apreendidos, entre ele armas, foi encontrada na residência de Femia. Ele afirmou, no entanto, que possui registro do Exército de porte de arma. Romão disse que as afirmações serão julgadas no decorrer do processo, até porque ele também será indiciado por venda de armas.

Para o titular da DIG, essa é uma operação para deixar os criminosos “espertos” com a ação da polícia. “Aqueles que escolheram o lado do crime, devem estar cientes que acabarão sendo presos pela polícia, que não é desonesta”.

Número de envolvidos pode chegar a dez

Araraquara - Pelo menos mais seis policiais, que podem ser tanto da Polícia Civil quanto da Militar, podem integrar a quadrilha presa, anteontem. Dos novos suspeitos, dois teriam envolvimento direto com os acusados detidos na terça-feira. A Polícia tem a identificação dos seis policiais e já abriu sindicância para apurar o envolvimento deles no caso.

Nenhum dos novos suspeitos possuiria “laços fortes” com a quadrilha. Mas, segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Jesus Nazaré Romão, os seis policiais teriam contato com membros e já trabalhado para o grupo.

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