Tribuna do Leitor

Discriminação racial existe


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No dia 18 de maio, um cidadão colocou na Tribuna do Leitor, sua opinião a respeito do projeto de lei que garante 20% vagas nas universidades para afrodescendentes, dizendo que não teria sentido fazer prova de vestibular para garantir vaga pela capacidade da pessoa.

É importante salientar que o que está em discussão não é a capacidade e sim o sistema social que a democracia burguesa utiliza para discriminar e oprimir os negros. No 2.º país do mundo que mais possui negros é difícil explicar a pouca importância dada pelo sistema capitalista à discussão racial, coisa que fica evidente na insistente ausência de políticas para tal; nas escolas, nos movimentos existentes em nosso País, que visam um caráter reformista e não-transformador, radical contra os métodos escravagistas do período colonial que hoje mudaram de nome, são os grandes empresários e latifundiários deste País. Vamos aos fatos:

No Brasil 43,7% da população são negros e negras, sendo que 51,8% Belo Horizonte, 63,7% D.F., 11,85% Porto Alegre, 64% Recife, 81,8% Salvador e 33% em São Paulo.

Os jovens e crianças negras começam a trabalhar mais cedo comparativamente aos brancos. A jornada de trabalho dos negros é duas horas superior à dos brancos, negros trabalham mais e recebem menos, o desemprego é maior entre negros exp: a somatória das discriminações resultantes do racismo e machismo atinge em cheio a mulher negra, tornando sua situação dramática 31% mulheres negras em trabalhos domésticos contra 14% das brancas.

Apesar dos dados serem suficientes para explicar a diferença e o grau de super exploração ao qual a população negra brasileira é submetida, cabe ainda ressaltar e reafirmar não só o conteúdo de classe que está nas práticas racistas (vinculado a um gritante machismo) que são criadas no interior da própria classe trabalhadora. Negros não são menos capazes e por isso não passam em vestibular, negros são excluídos, marginalizados pela sociedade por serem os mais pobres, por terem menos acesso às chances e oportunidades do sistema burguês implementado pelo FMI e que o FHC aplica com precisão. É evidente que o abismo entre os negros e brancos sempre foi gigantesco em um país com tradição escravocrata como Brasil. Nós devemos achar o caminho para que nos conduza às camadas mais desprivilegiadas e oprimidas do proletariado a começar pelos negros, transformados, em párias pela sociedade capitalista e que têm que aprender a nos ver como seus irmãos. Isto depende de mudanças sérias na sociedade para construirmos uma sociedade onde há igualdade social, respeito ao ser humano, este mundo é o do socialismo.

Dizer contudo que cotas é o único caminho para seguirmos é errado, é parte deste. Mas a única forma de nos aproximarmos dos trabalhadores da população negra e levando para cada uma de nossas estruturas sociais (universidades, escolas, entidades sindicais, igrejas, etc) para cada aparição pública, nossas propostas de combate ao racismo e qualquer outro tipo de discriminação.

Ninguém é discriminado por ser “gordinho”, não se faz a discussão pelo marco do censo comum. O problema racial é histórico no nosso País, assim como o machismo não é inerente ao homem, está no marco da luta este gênero e classe.

Isto significa entender de fato que a luta contra o racismo, a opressão das mulheres, gays e lésbicas, é parte importante da luta contra o capitalismo, portanto, não devemos ser os primeiros a associá-las.

Devemos lutar contra este tipo de pensamento social democrata burguês que nos ensinam na escola a abrir os nossos horizontes para mudar o que queremos fazer com o jovem hoje, nesta sociedade.

Não somos marionetes do sistema capitalista! O dia 13 de maio foi instituído como o dia da Libertação dos Escravos no nosso país em 1888, mas será mesmo que ela ocorreu? (Eliane de Souza Koti - RG. 17.116.966-9)

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