RH & Tendências

Copa mexe com horário do trabalhador

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Como sempre acontece a cada quatros, na época da Copa do Mundo, as empresas e repartições públicas se vêem obrigadas a mudar o horário de trabalho de seus funcionários nos dias de jogo da seleção brasileira. Esse ano, a história está se repetindo apesar de, pela primeira vez, a maioria dos jogos serem de madrugada no Brasil devido ao fuso-horário.

O que empresários e autoridades querem evitar é que os funcionários cheguem atrasados nos dias de jogos da seleção ou, durante o expediente, fiquem mais preocupados com o jogo do que com o trabalho.

A Prefeitura de Bauru e todas as repartições públicas municipais vão ter seus horários de início de expediente atrasados amanhã, dia da estréia do Brasil na Copa. O prefeito Nilson Costa determinou que todos os funcionários públicos municipais comecem a trabalhar às 9 horas, aproximadamente uma hora depois do término da partida, que deve iniciar às 6 horas.

“A medida visa colaborar com o espírito do País na torcida em busca do pentacampeonato. Com isso, o servidor terá tranqüilidade de poder acompanhar a partida e se deslocar para o trabalho em tempo hábil”, comenta o prefeito em nota divulgada pela assessoria da prefeitura, que não mencionou nenhum tipo de compensação pelas horas “perdidas”.

As escolas da rede pública também tiveram seus horários alterados para o primeiro jogo da seleção. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, as aulas amanhã começam às 10 horas. O horário também deve ser adaptado para outros jogos do Brasil conforme a seleção for passando pelas fases da competição.

O comércio não deve mudar o horário de atendimento amanhã, mas para o segundo jogo do Brasil, no sábado, dia 8, a maioria dos estabelecimentos deve abrir às 11 horas da manhã. A direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) não foi encontrada para confirmar os horários. “Essa é a tendência das lojas do calçadão”, diz o presidente das Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto De Bernardis, o Kiko. Segundo ele, como o sábado é um dia forte de vendas, é possível que algumas lojas fiquem abertas até às 19 horas no dia 8.

Acidentes de trabalho

Na opinião do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, a mudança do horário de expediente é uma escolha de cada empresário. Para Simonelli, a compensação de horas é a melhor opção para evitar que o trabalhador perca os jogos.

O diretor da Ciesp lembra que o mais importante nessa época é evitar que os jogos atrapalhem as atividades do dia-a-dia e possam causar acidentes de trabalho. â€œÉ preciso ficar atento por causa dos horários dos jogos. O funcionário pode exagerar na comemoração ou chegar com sono e se acidentar, principalmente se tiver que operar máquinas”, alerta.

Empresas devem procurar acordo

Para a psicóloga organizacional Regina Maura Pereira Torres, as empresas devem procurar saber o que os seus funcionários desejam nos dias de jogos do Brasil. “O empresário não pode tomar a decisão e simplesmente anunciar para o funcionário”, diz. Caso a maioria queira ver os jogos em casa, a melhor solução é combinar uma mudança no expediente e uma compensação no futuro.

Levar a televisão para o trabalho só vai ser uma boa opção em determinados setores, aponta Torres. “Se for num escritório não há problema, mas num ambiente de produção pode ser um risco para o funcionário que pode perder a concentração por causa do jogo”, explica. No geral, a psicóloga acredita que assistir aos jogos no trabalho faz com que o serviço não renda. “Se a profissão permitir, é melhor entrar no trabalho depois do jogo”, diz.

Todos querem ver o Brasil

Quem tem controle sobre o próprio horário de trabalho já está se preparando para ficar em casa até mais tarde nos dias de partidas do Brasil. “Só venho trabalhar depois que o jogo acabar”, diz a vendedora ambulante Arilde Lopes de Mello, que confessa não ser muito fã de futebol mas vê os jogos na época das Copas. Diariamente, a vendedora monta sua banca, no centro da cidade, antes das 7 horas.

O motorista de taxi Antônio T. Sanches também vai começar a trabalhar mais tarde nos dias de jogo do Brasil. “Quem vai estar na rua para eu poder trabalhar”, argumenta o torcedor fanático da seleção.

Existem também aqueles que não podem deixar de lado o trabalho mas não querem perder um lance da Copa. A solução nesses casos é uma adaptação. “Como nós não podemos deixar de abrir no horário, vamos ter que ver o jogo aqui mesmo. Toda Copa tem que ter uma tevê”, diz o gerente comercial da Droga Centro, Halley Mesquita Filho.

A mesma solução vai ser adotada por Adennis Petruka, cujo restaurante, no centro da cidade, abre diariamente às 6h30. “Ao invés de abrir mais tarde vamos abrir mais cedo para que as pessoas possam ver o jogo aqui”, diz. Para atrair o público e não perder a Copa, Petruka instalou um aparelho de televisão de 29 polegadas no estabelecimento.

Comentários

Comentários