Cultura

A alimentação mental é necessária

Padre Beto (*)
| Tempo de leitura: 4 min

Certa vez, em um país muito distante, vivia um homem sábio nos arredores de uma pequena cidade. Todas as manhãs, o mestre levantava bem cedo para contemplar o mágico momento do nascer do sol acompanhado por seu discípulo.

Em uma destas manhãs, os dois avistaram um jovem que caminhava em sua direção. Ao se aproximar, o jovem os cumprimentou e foi logo perguntando: “Velho, você pode me dizer que tipo de gente mora nesta pequena cidade? Eu venho de longe e estou a procura de um lugar para morar. Mas antes de resolver ficar nesta cidade, eu gostaria de saber que tipo de gente eu vou encontrar aqui.”

Com muita tranqüilidade, o mestre respondeu: “Mas..., que tipo de gente morava em sua terra natal?” O jovem franziu o rosto e disse: “Gente muito ruim! Na minha cidade vivem pessoas mesquinhas, medíocres, gente que vive só querendo saber da vida dos outros. Exatamente por esta razão eu resolvi sair de lá.”

O mestre, então, continuou: “Pois é exatamente esse tipo de gente que mora aqui nesta pequena cidade.” O jovem, despedindo-se do dois, resolveu então aproveitar o dia para continuar sua caminhada até o próximo vilarejo. Alguns minutos depois, o mestre e seu discípulo avistaram outro jovem que se aproximava.O jovem os cumprimentou e foi logo perguntando: “O senhor poderia me dizer que tipo de gente mora nesta cidade? Eu estou à procura de um lugar para morar. Mas antes de me decidir por esta cidade, gostaria de saber que tipo de gente irei encontrar por aqui.”

O mestre respondeu com a mesma pergunta que fizera ao primeiro jovem: “Que tipo de gente morava em sua terra natal?” Imediatamente, o rosto do jovem se iluminou: “Ah..., gente muito boa! Pessoas generosas, amigas e hospitaleiras. Eu gostava da minha gente, e sinto ter saído de minha terra.”

Então, o mestre respondeu tranqüilamente: “Exatamente este tipo de gente que você irá encontrar nesta cidade!” O jovem, agradecendo a informação dirigiu-se feliz para os portões da pequena cidade. O discípulo, porém, não conseguiu ficar em silêncio e foi logo questionando o homem sábio: “Mestre, sinceramente não entendi. Como o senhor pode dar duas respostas completamente diferentes à mesma pergunta?”

Olhando para o horizonte, o mestre respondeu: “Eu não dei duas respostas diferentes à mesma pergunta. Eu dei duas respostas diferentes a pessoas completamente diferentes. O primeiro jovem é alguém insatisfeito com ele mesmo e carregado de pensamentos negativos. Ele nunca achará um lugar bom para viver, nunca encontrará pessoas que são suficientemente boas para ele. Enquanto que o segundo jovem é uma pessoa que se ama, que é realizado e feliz. Portanto, ele sempre será feliz onde ele estiver!”

A história particular de cada ser humano não depende somente de sua hereditariedade ou de seu meio ambiente, mas principalmente de sua postura diante da vida. Esta tem sua origem em uma saudável atitude mental. O cérebro é algo neutro. Ele pode ser dominado por pensamentos negativos ou positivos.

Existem pessoas que possuem um cérebro carregado de negatividade. Esta negatividade, com certeza, irá refletir em seus atos e comportamentos. Se uma pessoa não acredita em sua capacidade de se modificar, ela também não consegue se ver superando os próprios medos para alcançar seus objetivos.

Assim, é sempre reforçada em sua mente a incapacidade de vencer os obstáculos que encontrar durante a vida. Aqui é criado um bloqueio que entra em ação toda as vezes que se aproximar de algo que se deseja muito, fazendo a mente reagir, opondo-se a tal realização.

Sem percebermos estamos fazendo isso o dia inteiro: será que conseguirei, será que sou capaz de fazer, será que serei aceito, será que minha atitude não será mal interpretada, será que ele está falando a verdade...

Assim como o corpo, a mente também necessita de uma boa alimentação diária. Quando temos uma péssima alimentação física é simples percebermos as conseqüências, o mesmo não ocorre com uma alimentação mental.

A nossa felicidade, porém, depende muito da alimentação que oferecemos à nossa mente. Se provemos nosso cérebro de informações negativas, estas se tornarão, mais tarde, influências marcantes em nossa postura diante da vida.

Para uma saudável alimentação mental é necessária constante vigilância, pois diariamente a nossa mente é abastecida, sem que possamos perceber, de perfeito lixo alimentar.

Através do baixo nível dos programas exibidos na televisão, por exemplo, nossa mente é carregada com sensacionalismo barato e doses homeopáticas de pura negatividade.

Cabe a cada pessoa exercitar seu pensamento crítico sobre sua alimentação mental e suas opções para o lazer. “Em vão buscamos ao longe a felicidade, se não a cultivarmos dentro de nós mesmos” (Rosseau).

(*)Especial para o JC Cultura

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roberto.daniel@lycos.com

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