Tribuna do Leitor

Em busca de um amigo que...


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Não precisa ser um homem, basta ter sentimento e dignidade; falar e saber se calar oportunamente, sobretudo saber ouvir; que ame e aprecie a música, o alvorecer do “astro-rei” e o gorjeio dos pássaros; da lua, do canto dos ventos e das canções vindas da brisa do mar, gostar de animais, tendo no cão o seu fiel escudeiro. Que ame e defenda a Mãe Natureza, essência da vida que entrelaça as flores que exalam aroma, embelezando a Terra - a vida, o amor e o Amigo! Ter entre os seus amores um grande amor; mesmo que sinta a ausência de um amor; amar no sentido amplo da palavra é ser solidário com o próximo e com a dor que os passantes levam consigo, devendo manter segredo e sem se constranger. O Amigo, verdadeiramente amigo, está sempre presente nas dificuldades alheias. Muitas vezes, o amigo se deixa levar pela sua boa fé e é traído. Que o Amigo não seja mercenário nem que seja puro, nem que seja de todo impuro. Condição sine-qua-non não ser vulgar e sobretudo seja sincero; que seja idealista e tenha sempre um objetivo... imprescindível sentir ressonâncias humanas, sobretudo sobre o valor de ser amigo.

Penalizar-se com as pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários, ajudando-os. É necessário encontrar-se um amigo para compartilhar dos mesmos gostos e que se comova quando chamado de Amigo. Que saiba conversar e valorizar a simplicidade como o orvalho da madrugada, as chuvas e o cheiro da terra molhada e o gotejar na folhagem, dando expansão às recordações da infância. Precisa-se de um amigo para contar o que de belo ou triste no dia-a-dia; dos anseios, dos projetos e das realizações que foram sonho um dia. “Ouvir o silêncio da noite”; sentar-se à beira do rio ou do mar ouvindo o murmurar das águas; contemplar as cintilantes estrelas na imensidão da noite.

Careço de um Amigo que sinta que vale a pena viver e que seja corajoso; que aponte meus erros e me ajude a superá-los, porquanto a vida é bela e muitas vezes cruel. A felicidade se completa quando se tem genuínos amigos!...

Pode-se ser consolado por um amigo, quando em busca de memórias perdidas; aquele que nos dê o ombro sorrindo ou chorando, mas que nos chame de Amigo, para se ter consciência de que ainda se vive.

Viva a Vida! a Vida é bela para ser vivida, em Paz e Harmonia na gangorra da alegria. Portanto permanecerei onde estiver, sempre voltado para o meu Amigo. No meu conceito, coloco em prática: saúde e amicia, os maiores tesouros do denominado Organismo denominado Terra. Meu Amigo, conte sempre comigo! (Arthur Monteiro de Carvalho Netto - “O homem de alma verde e suas reminiscências...” - Cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro - 84)

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