Parece que foi ontem, mas ocorreu em 1935, quando meu saudoso pai, levado pela preocupação de que seus filhos recebessem a educação primária, no chamado Grupo Escolar de Guarantã, Pirajuí (SP), cuja atividade então cabia ao Ministério da Educação e Cultura. A preocupação do meu pai (que chegara ao Brasil com cerca de 12 anos de idade em 1910, com menos de um ano de escolaridade espanhola e que aqui se tornara autodidata), consistia em livrar os filhos dos maus-tratos exercidos pelos patrões que exploravam os trabalhadores agrícolas em suas terras, talvez porque mantendo-os analfabetos lhe eram mais interessantes; quanto menos cultura, melhor...
O que hoje me leva a retroceder no passado e provoca o presente assunto, entretanto, somente me serve de pano de fundo para chegar ao objetivo deste falatório, do qual objetivamente pretendo tirar proveito. É chegar à capacidade cultural e profissional das professoras de então (cuja presença era maioria, em relação aos professores), do meu tempo de criança, quando geralmente as professoras e professores eram chamados por mestras e mestres (não apelidadas de “tias ou tios†e possuíam nome), mas respeitosamente por professoras e professores. Pessoas de certa posição social, capacitação, que facilmente passavam a - como que adotar as crianças - dividindo responsabilidades e preocupações, enquanto criando supostos triunviratos: professores/alunos/pais, no encalço do trato à disciplina, com total aproveitamento escolar. Tudo com base na cultura do professorado de então (tal como a professora supercapacitada que tive nos quatro anos do grupo escolar) figuras reconhecidas com tratamento de mestres, e certa participação na hierarquia das administrações das comarcas, municípios e ou distritos. Os mestres (maioria mestras) praticavam suas atividades sob largo conhecimento cultural, produzindo e fazendo justiça aos salários decentes, em função das suas atividades profissionais. Naquele tempo, os didáticos, em geral, acompanhavam os agrupamentos de alunos aprovados (ano-a-ano), conduzindo-os até a formatura na 4.ª série, geralmente com fotos e festa de “formaturaâ€. Hoje percebe-se que os procedimentos naqueles tempos (cujos encargos pertenciam ao Ministério da Educação e Cultura/Secretaria da Educação e professorado bem pago), ao passar às administrações estatais e municipais tomaram novo rumo. Enfrentando conseqüentes responsabilidades, criando-se os ensinos: fundamental, médio e superior.
Entrementes o presente professorado do ensino estatal e oficial atual vêm de muito tempo vivendo a política de miseráveis salários, razão porque tendem a se esvair no decorrer do tempo... As conseqüências do resultado escolar do Brasil (que suponho críticos), em grande parte podem ser reflexos dos irrisórios salários vividos pelo professorado), publicados recente. “Segundo o censo escolar†em “toda educação básica que vai desde a creche até o ensino básicoâ€. Nesse total “existem 54.362.501 alunos em toda educação básica†que em 2001 e segundo o referido censo referente a alunos reprovados totalizam 4,4 milhões. Assim, buscando uma saída, boa parte daqueles que ainda têm idade suficiente para retornar à escola, no nível superior (pós graduação), fazem das tripas o coração em busca de melhor salário, através do mestrado e se possível no doutoramento. É com tal esforço que no País, apenas “27% dos 809 mil professores (1.ª à 4.ª série) “têm curso superior completo, sendo que “entre os docentes da 5.ª a 8.ª série, 74% têm diploma superior. Fico por aqui. (O autor, José Almodova, é professor Mestre, pela Unesp. É jornalista colaborador JC)