Amanhã, os formandos de 24 áreas em todo o Brasil participam da sétima edição do Provão, que será aplicado para mais de 400 mil estudantes em 627 municípios do País. Em Bauru, 2.547 alunos das universidades públicas e faculdades particulares da cidade estão inscritos.
Mas os alunos de psicologia, jornalismo e arquitetura e urbanismo estão organizando protestos, que devem acontecer antes da prova em frente à Câmara Municipal e ao Colégio Preve, onde se concentra a maioria dos candidatos à prova, que será realizada também nas escolas estaduais Ernesto Monte e Christino Cabral.
Segundo dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em relação a 1996, quando foi realizada a primeira avaliação, o número de cursos participantes passou de 616 de três áreas para 5.030 de 24 áreas. A quantidade de estudantes inscritos aumentou de 55.537 para 395.995, um crescimento de 600%.
A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que montou uma megaoperação envolvendo mais de 40 mil profissionais em 1.337 locais de prova, informou que serão avaliados os cursos que têm alunos concluintes nas áreas de agronomia, arquitetura e urbanismo, administração, biologia, ciências contábeis, direito, economia, enfermagem, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia mecânica, engenharia química, farmácia, física, história, jornalismo, letras, matemática, medicina, medicina veterinária, odontologia, pedagogia, psicologia e química.
Dessas 24 áreas, Bauru sediará provas de 32 cursos, em 20 áreas, com exceção de agronomia, economia, medicina, medicina veterinária. As provas têm início às 13h, mas os alunos devem chegar ao local das provas com antecedência, pois o fechamento dos portões está marcado para às 13h30.
O Inep informou ainda que o estudante que ainda tiver dúvidas sobre o local de prova poderá obter esclarecimento neste final de semana. O serviço Fala, Brasil! do Ministério da Educação, pelo telefone 0800 616161, estará de plantão hoje, das 13h às 17h e, amanhã, a partir das 8h30. O participante também poderá obter essa informação na página do Inep na Internet (www.inep.gov.br).
Alerta e repúdio
De acordo com a definição do MEC, o Provão é um exame de conhecimentos específicos de cada área que avalia os cursos de graduação por meio da aferição de competências e conhecimentos adquiridos pelos alunos ao longo do curso.
A participação no Provão é obrigatória por lei para que o estudante obtenha o seu diploma. O resultado do teste que é composto por questões de múltipla escolha e dissertativas é enviado de maneira sigilosa para os alunos e a somatória das notas irá valer a nota do curso e das instituições de ensino.
É justamente neste ponto que os universitários do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão protestando.
As turmas de psicologia, arquitetura e jornalismo se reuniram e com o apoio dos centros e diretórios acadêmicos redigiram cartas abertas em repúdio ao provão e afirmam que não vão responder às questões.
Os estudantes de arquitetura das universidades públicas de todo o estado vão colar um adesivo no formulário com os dizeres: “Colei no provão por uma política de educação responsável e um ensino de arquitetura de qualidadeâ€, afirma o formando Vinícius Martins de Camargo, membro do Centro Acadêmico “Flávio de Carvalhoâ€, da Unesp.
A indignação dos estudantes não é com a realização do exame em si, mas com a postura adotada pelo ministério em acabar investindo em instituições particulares que visam o comércio e não o ensino.
“Já está se instituindo a indústria do Provão, como já se tem a do vestibular. Primeiro, essas faculdades ganham o incentivo do governo para melhorar seus cursos e depois dão prêmios para os alunos irem bem no Provão para que elas tirem conceito A e arrebanhem novos alunos e ganhem mais. Enquanto isso, a formação dos profissionais se perde com esse rankeamento irreal e as universidades públicas entram em greve pelo sucateamento e falta de recursosâ€, defende Camargo.
Os estudantes de jornalismo vão entregar a prova em branco, pois como explica o aluno da Unesp Vinícius Botelho, a avalição poderia até ser válida se fosse correta e não estivesse criando um mercado paralelo de pseudo-ensino de qualidade.
“O MEC acaba legitimando cursos e instituições que ele por si mesmo não teve a competência de controlar o crescimento e a qualidade do ensino aplicadoâ€, comenta.
As manifestações com faixas, cartazes, panfletagem e carro de som devem ter início às 11h30 em frente à Câmara Municipal e ao meio-dia em frente ao Preve, que irá concentrar a maior parte dos inscritos para o Provão.
Para não perder o provão
• As provas serão aplicadas das 13h às 17h.
• O participante só poderá deixar o local do exame a partir das 14h30.
• É preciso levar folha de respostas do questionário-pesquisa devidamente preenchida, Cartão de Informação do Graduando (CIG), documento de identidade, caneta esferográfica preta, lápis grafite preto nº 2 e borracha.
• Somente para os alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Química, Engenharia Mecânica, Farmácia, Matemática, Medicina Veterinária será permitido o uso de calculadora científica.
• Para os graduandos de Direito será permitida a consulta da legislação e de literatura impressa. Mas não será autorizado o empréstimo de material durante a prova.
• Todo participante deve responder ao questionário-pesquisa que foi enviado junto com o cartão de inscrição. A ficha de respostas do questionário deverá ser entregue, preenchida, no dia do exame ao fiscal responsável pela sala de prova.