Estão matando o verde das nossas matas
Poluindo com chumbo o nosso cerrado
Destruíram as margens do Rio Batalha
Suicidaram a Estação Ferroviária
Esqueceram de reconstruir a ferrovia
Acabaram com a Praça Rui Barbosa
O automóvel absorveu o calor do ser humano
O computador esgotou os carinhos da professora de datilografia
A mãe do filho de proveta tirou as dores do parto da mãe verdadeira
O fabricante da pílula continua matando o futuro da humanidade
O mercado do egoísmo próprio faturou, e afundou no bolso do pai honesto
A massa niveladora desnivelou o conceito dos homens sérios
O poste se fez Cruz no lugar do arbusto
Não há nada de novo debaixo do Sol a não ser a poluição
Os fios da rede elétrica enforcarem as árvores, e destruíram as matas
O guindaste rompeu a raiz do alicerce profundo da Paz
O robô corrompeu e tirou o trabalho da mão humana
As criança são matéria-prima, e a paternidade esta em segundo plano
A bomba de Dinamite devolveu, a Deus, um pouco do seu terreno em forma de pó.
Mais uma vez o xerox da cópia venceu o criador da matriz
Ainda uma vez os milagres da casa vieram de fora
Quem não se descobriu, ainda mais se perdeu nas armadilhas da vida
O inseticida agrônomo temperou a nossa salada mista diária
A máquina rotativa mentiu a nossa liberdade
A terra santa não reclama das injustiças sociais
O Rio se modernizou com as barragens elétricas
As estrelas permaneceram, com um brilho fosco
A chuva se manteve fiel à nuvem escura e cinzenta
O ventre livre, se fechou para dar espaço a ensiminação artificial
O choro da despedida agora é roda de amigos
O dilema da casa própria agora é Cohab falida
A percentagem rimou falsa
Os poemas incoerentes, com versos incompletos
A banca de jornal em frente ao hospital se fez porta de hospício
De repente o meu cansaço, um quase nada, me negando quase tudo
Uma vontade de não correr mais atrás do egoísta dinheiro, mas para mim
Não correr atrás, é preciso ter dinheiro, e quando eu tiver, com certeza ele
Não vai ter o valor Real, para comprar as coisas que o tempo me levou, o brilho dos meus olhos, a cadência das minhas artérias, o gosto pela vida, o preto dos meus cabelos, a minha coerência, as minhas esperanças, a infância da minha filha, os meus sonhos, meus sonhooosss etc. Com certeza, há uma fórmula para melhorar o mundo: ao invés do moço agredir o velho, é preciso que os dois se unam para cuidar melhor das nossas crianças. O mal é que, apesar de toda a desigualdade, as pessoas estão ficando todas cópias. Há uma crise de originais solidários na nossa humanidade. Pense nisso. (Jaime Prado - RG: 9.656.152)