Regional

Marin é reeleito com 89% dos votos para governar Balbinos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Balbinos - Em votação bastante tranqüila, o prefeito Ede Carlos Marin (PSDB) foi reeleito ontem com 89,8% do total de votos apurados. A quantidade de votos em branco não comprometeu a eleição e agora Marin tem pela frente mais dois anos e meio de governo. Ele assumiu a Prefeitura de Balbinos no fim do ano passado, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou a eleição de 2000.

De acordo com informações do Cartório Eleitoral de Pirajuí, do total de 1.033 eleitores, 925 compareceram às três seções eleitorais, na escola estadual Antônio Sanches Lopes, no centro. Ou seja, 89,5% dos votantes.

Desse total, 58 votos (6,2%) ficaram em branco e outros 36 (3,8%) foram anulados. Antes da eleição, havia a preocupação, um tanto exagerada, de que os votos em branco pudessem superar os do candidato Marin. Segundo o prefeito, um grupo que faz oposição política a ele teria feito campanha pelo voto em branco.

Diplomação

Na condição de presidente da Câmara Municipal, Marin assumiu o comando da cidade até que novo pleito fosse realizado. À frente da prefeitura, Marin gostou da experiência e entrou na disputa pela reeleição como candidato único.

Sua diplomação deve ser feita no próximo mês. A data e o local ainda não foram definidos pelo juiz Davi Márcio Prado Silva, do Cartório Eleitoral de Pirajuí. Como todo candidato reeleito, Marin já adiantou que nada deve mudar em sua ‘nova’ administração. “Vou continuar com o trabalho que vinha realizando (antes da eleição)”, afirmou ele.

O resultado da votação não o surpreendeu. Mesmo antes da contagem dos votos, Marin previa uma margem pequena de votos em branco e nulos: cerca de 20%. O dobro do que foi registrado na eleição de ontem.

Assim que os números foram divulgados, Marin saiu para comemorar com seus eleitores. Mesmo não tendo oponente na disputa, o prefeito não esconde a satisfação de ter sido ‘aprovado’ pela população.

Contrastando com a alegria da vitória, Marin mostrou-se ontem um tanto apreensivo quanto a algumas pendências financeiras do município. Segundo ele, a Justiça Trabalhista de Lins teria pedido o seqüestro dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para pagar dívidas com ex-funcionários. “Nossa dívida com precatórios é grande e o município não tem dinheiro para pagar”, lamentou.

Eleição tranqüila

Os 1.033 eleitores de Balbinos ficaram divididos ontem de manhã entre a eleição (fora de hora) para prefeito e os jogos da Copa do Mundo. Enquanto uma parte do eleitorado comparecia às três seções eleitorais da cidade, outra parte se aglomerava diante da TV para assistir ao jogo das oitavas-de-final entre Espanha e Irlanda.

Com o fim da partida, houve um ligeiro aumento de eleitores na rua. À tarde, o movimento continuou fraco. Só mesmo a presença das viaturas policiais em frente à escola denunciava que algo de especial estava acontecendo no local.

De acordo com informações da polícia, nenhum incidente foi registrado durante a votação. Na opinião do presidente do PDT de Balbinos, José André Garbelini, a tranqüilidade deveu-se à presença de apenas um candidato na disputa. Segundo ele, o clima ameno que prevaleceu ontem não teria sido a regra nas últimas eleições. “Quando existe mais de um candidato na disputa, os fiscais têm muito trabalho por aqui”, revelou.

Para garantir a normalidade da eleição, a Delegacia Seccional de Polícia de Bauru designou o delegado Eron Veríssimo Gimenes para acompanhar de perto a movimentação dos eleitores.

Resultado

Votos nominais: 831 (89,8%) Votos brancos: 58 (6,2%) Votos nulos: 36 (3,8%) Eleitores aptos: 1.033 Fonte: Cartório Eleitoral de Pirajuí

Opção única

A falta de opções na hora de escolher o novo prefeito não foi encarada como algo tão ruim por uma parte dos eleitores de Balbinos. “Mesmo que houvesse outras opções eu iria votar no mesmo candidato”, revelou João Carlos Cândido da Silva, 32 anos, que pela primeira vez votou numa eleição com candidato único.

Para o eleitor Luís Antônio Rodrigues, 41 anos, mesmo tendo ficado pouco tempo à frente da prefeitura, Ede Carlos Marin teria feito por merecer um apoio nessa eleição. “O que ele fez em seis ou sete meses, os outros (prefeitos) não fizeram nos últimos oito anos”, disse.

“Não faz tanta diferença”, respondeu o agropecuarista Sidinei Tassi, 42 anos, ao ser questionado sobre a falta de escolha na eleição. A exemplo dos demais, ele também informou que, independente dos candidatos em disputa, Marin seria o escolhido.

A aposentada Iraci Garbeli Lunardão, embora estivesse desobrigada de votar, foi uma das primeiras a registrar seu voto. No dia em que completava 84 anos, Iraci levantou cedo, pegou o título de eleitor e caminhou até o local da votação. Em uma única frase ela justificou o esforço. “Gosto de votar, só isso.”

Indefinição se arrasta há dois anos

O vencedor do pleito em 2000, Mário Luiz Luizão (PTB), não ficou mais do que três meses à frente da prefeitura. No dia 30 de março, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo decidiu, por unanimidade, cassar a candidatura do prefeito, alegando dupla filiação partidária.

A Justiça entendeu que a filiação de Luizão ao PTB foi feita fora do período exigido por lei para disputar uma eleição. Sendo assim, o prefeito (Luizão tentava a reeleição) teria entrado na disputa de forma irregular.

Com a decisão do TRE, o segundo colocado, José Márcio Rigotto (PMDB), ganhou o direito de assumir o comando de Balbinos. Ele foi diplomado prefeito da cidade em 9 de abril. Rigotto, aliás, foi quem entrou com pedido de impugnação da candidatura de Luizão, no TRE.

Assim que foi afastado, Luizão recorreu da decisão. Com base nos artigos 175 e 224 do Código Eleitoral, ele entrou com um pedido de agravo de instrumento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, pedindo a anulação da disputa. A lei determina que quando mais de 50% dos votos forem dados a candidato inelegível ou não registrado, uma nova eleição terá de ser feita.

Luizão entendia que ao ter sua candidatura impugnada, todos os 513 votos que recebeu na eleição estavam igualmente anulados. Isso abriu uma brecha para que ele pedisse a anulação do pleito, pois seus votos representavam mais de 51% do total. O argumento foi aceito por unanimidade pelo plenário do TSE, na sessão do dia 29 de novembro do ano passado. O pleito de ontem foi o resultado dessa decisão.

Enquanto o imbróglio político esteve indefinido, a cidade foi administrada pelo presidente da Câmara Municipal, o vereador Ede Carlos Marin (PSDB).

Comentários

Comentários