Regional

Vicunha demite 270 em São Manuel

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel - A Vicunha Têxtil fechou, ontem, a fábrica II de fiação de São Manuel e demitiu 270 empregados. Informações extra-oficiais dão conta de que esta foi somente a primeira etapa de uma desativação total, na qual seriam fechadas a fábrica III e a malharia, com a perda de 600 outros empregos. O prefeito Flávio Roberto Massarelli Silva, o Flavinho, (PSB) atribui o possível fechamento à guerra fiscal. A produção da Vicunha seria transferida para Fortaleza (CE), que estaria dando vantagens em tributos para a empresa.

A notícia da desativação da unidade confirmou as informações que vinham correndo na cidade nos últimos meses. Na semana passada, Flavinho Silva esteve com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) solicitando a intervenção junto à empresa para que não ocorressem as demissões

De acordo com ele, as 270 demissões fazem com que o índice de desemprego na cidade passe de cerca de 22% da População Economicamente Ativa (PEA) para cerca de 30%. A Vicunha era o segundo maior empregador do município, com 900 funcionários. O maior é a Usina Açucareira São Manuel, que emprega 1,8 mil trabalhadores.

De acordo com estimativa da prefeitura, o salário médio na Vicunha gira em torno de R$ 400,00. Assim, depois que acabar o período do seguro desemprego, serão cerca de R$ 108 mil a menos girando na economia local, o que deve ocorrer no final deste ano. Flavinho Silva destaca que se forem perdidos os 900 postos de trabalho, esse valor sobe para R$ 360 mil mensais. “Isso causaria um grande impacto econômico para São Manuel”, afirma.

De acordo com informações extra-oficiais, o fechamento total da Vicunha em São Manuel ocorreria até agosto.

Dos 270 empregados dispensados, segundo nota oficial da Vicunha Têxtil, 60 já haviam manifestado o interesse em se desligar da organização. Outros 60 eram residentes em Pratânea e Areiópolis. Os restantes 150 foram escolhidos entre os que já eram aposentados e entre membros de uma mesma família, mantendo pelo menos um no posto de trabalho remanescente.

Para os empregados que serão desligados, a Vicunha Têxtil, segundo a nota, concederá adicionalmente às verbas rescisórias, um salário nominal e assistência médica por mais três meses, além de apoio ao processo de recolocação e orientação para abertura de negócio próprio, passando por orientação para melhor gestão orçamentária na fase de transição profissional.

Empresa

A nota da Vicunha Têxtil informa que o fechamento da fábrica II ocorreu frente à necessidade de adequar as suas operações à realidade de um mercado que ao longo dos meses não está respondendo as previsões para 2002. Isso fez com que fosse necessário a ajustar a sua área produtiva à real demanda do mercado. A empresa revelou que seus estoques estão subindo e que o mercado vem exigindo preços mais competitivos.

A Vicunha, segundo a nota, colocou em férias coletivas a sua unidade de confecções localizada em Paulista-Recife (PE) e ontem desativou a Unidade II de fiação localizada em São Manuel. “Optou por esta unidade por se tratar de uma fábrica com maquinário já ultrapassado, preservando a unidade III de fiação e o setor de malharia, reconhecidamente mais modernas e competitivas” diz a nota.

A empresa destaca que a estratégia de desativação passa pela análise de elevados estoques de fios e perspectivas de recuperação de mercado pouco promissora, além da análise de competitividade das unidades de fiação da Vicunha Têxtil.

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