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Imposições da modernidade


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O contato que se tem, normalmente, com não poucas pessoas da sociedade contemporânea, está fazendo brotar nas consciências a explícita convicção de que a insônia individual vem se tornando um problema para o homem moderno. E (por que não?) para a mulher também moderna, uma vez que uns e outras, vivendo conjuntamente neste mundo de atropelos humanos, chocam-se nos mesmos embaraços sociais, que lhes subtraem - pouco ou bastante - os sonos de cada dia ou de cada noite, agradáveis uns e melancólicos outros. E indagar-se-ia quais as razões disso. Particularmente, nas cidades grandes, mas nas pequenas também, poderiam ser responsabilizados pelo problema o ritmo intenso da atividade diária, a batalha pela sobrevivência, as tensões oriúndas dos acontecimentos (triunfos ou revezes), as violências contornantes, o consumo de bebidas alcoólicas, a absorção de elementos naturais poluentes e, para muitos, os efeitos orgânicos das irregularidades da alimentação, que tiram mesmo a normalidade fisiológica de cada um. Isso para o sêr comum! E para os demais, de funções e responsabilidades maiores, como por exemplo os presidentes, governadores, prefeitos, legisladores, magistrados, promotores, delegados de polícia, seguranças civis e militares, servidores públicos etc, etc, para os quais sobram, não só a cada dia, como a cada instante, questões administrativas que ultrapassam o raiar da lua e se prolongam noite adentro, provocando não só insônias como pesadelos penetrantes? Aí estão, por exemplo, neste exato momento da história, milhões de pessoas que não conseguem dormir, pensando, como candidatos ou como eleitores, nos pleitos que se aproximam, aqueles sonhando de olhos abertos com o êxito de suas campanhas e o eleitorado com o nome em quem poderão votar com possibilidade de governar a contento? E, quantos, então, existem por aí revolvendo-se em pesadelos por carência de sossego noturno? Diante da conjuntura, pergunta-se logicamente: Afinal, o que é o sono, fenômeno aparentemente simples, mas que não o é verdadeiramente? Precisa o homem dormir? Sim, porque o descanso é regulado por fatores fisiológicos e psicológicos, os quais, quando não devidamente atendidos, acabam tendo como consequências pesadelos, sonambulismos e vigílias noturnas. Contudo, tem remédio esse incômodo mal da modernidade humana, que não tira intempestivamente a vida das pessoas, sob os raios solares, como as também modernas violências das ruas e dos campos, mas a agride à noite com os golpes de horas não dormidas, os quais, analiticamente, roubam-lhe o prolongamento da existência, conforme afirmam os psicólogos especializados em psicossomática. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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