Seis adolescentes infratores foram transferidos ontem para a unidade da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru, que fica ao lado do Núcleo Geisel. É o primeiro grupo de internos da unidade, que foi inaugurada em janeiro, mas liberada para funcionar somente na semana passada.
Os meninos transferidos ontem estavam recolhidos na cela especial da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, que abriga outros cinco adolescentes nas mesmas condições e que devem ser levados para Febem a partir de hoje. A ocupação do prédio, que tem capacidade para 72 internos, será gradual, segundo a assessoria de imprensa da Febem.
Os adolescentes de Bauru e região que estão internados em São Paulo devem começar a chegar na próxima semana, de acordo com a Febem. A região mantém, em média, 50 meninos internados na Capital, mas por enquanto, foram selecionados apenas dez para transferência.
Virão para Bauru os internos com menos de 18 anos, não reincidentes e cuja infração é considerada mais leve. A remoção dos adolescentes recolhidos no Cadeião foi solicitada pelo juiz Ubirajara Maintinguer, da Vara da Infância e Juventude de Bauru, que há tempos está preocupado com a lotação da cela especial.
Os seis adolescentes foram levados da cadeia para a Febem em viaturas da Polícia Civil, com escolta da Polícia Militar, logo pela manhã. Alguns familiares acompanharam a remoção, que transcorreu sem incidentes. “Fiquei muito emocionado. Chorei ao ver os pés do meu filho, que estava com o resto do corpo coberto, saindo da cadeiaâ€, conta o pai de um dos adolescentes.
À tarde, alguns familiares dos transferidos foram à Febem conhecer as instalações. A direção da unidade aproveitou para informar as regras de vivência a ser seguida pelos internos e pelas visitas. “Meu filho está muito melhor aquiâ€, disse o pai do mesmo adolescente ao sair da Febem.
O JC está preservando os nomes dos familiares dos infratores em cumprimento ao Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). O pai, um funcionário público que estava visivelmente abalado com a situação de seu filho, conta que ele foi apreendido, há cerca de um mês, após envolver-se com drogas e assalto.
O adolescente reclamava de brigas na cela da cadeia, em função do pouco espaço, de acordo com o pai. “Lá meu filho dormia no chão. Além do espaço, que nem compara-se com a cela na qual ele estava e da limpeza, aqui (na Febem) cada um tem seus objetos pessoaisâ€, diz.
Ele refere-se ao kit com escova, pasta de dente, sabonete, chinelos, toalha e cobertor que cada adolescente recebe ao ingressar na Febem. “Na cadeia, eles tinham que comprar essas coisas um do outro quando a família não levava, o que gerava dívidas. Era muito complicadoâ€, conta.
Uma mãe de adolescente transferido ontem e ouvida pelo JC disse que fica mais sossegada sabendo que o seu filho está na Febem, instalações que ela conheceu à tarde, e não numa cela de cadeia. “O prédio da Febem é melhor. É grande e limpo. A cadeia é um horrorâ€, relata.
Moradora no Paraná, ela veio a Bauru apenas para acompanhar o processo de seu filho na Vara da Infância e Juventude, que foi apreendido sob acusação de ter participado de um arrastão em Bauru. “Ele veio a Bauru para passar uns tempos e acabou aprontandoâ€, conta um tio do adolescente.
A unidade da Febem de Bauru tem capacidade para 72 internos em três pavilhões - um para internação (cumprimento da medida sócio-educativa de privação de liberdade), um para adolescentes sob custódia (aguardando definição da medida sócio-educativa) e outro para os recém-chegados, até que sejam integrados à unidade.
Visitas serão aos domingos
Os adolescentes internados na Febem poderão receber visita de seus familiares somente aos domingos, a partir do dia 30, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão. Os parentes podem entrar na unidade, após passarem por revista pessoal, a partir das 8h.
Cada interno tem direito a receber três visitas, cujos nomes devem ser cadastrados na portaria, por domingo. Os parentes podem levar chocolate em barra (até 250gr.), bolachas salgada e doce, balas das mais duras e cigarro (caso o interno fume).A orientação da Febem é para que os familiares usem roupas discretas.