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Realidade sem remédio


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Abrem-se páginas de jornal e se surpreende com os títulos ou manchetes, nelas estampados, com os destaques que possam despertar seus milhões de eleitores. Uma, informa que crianças são internadas em hospital com deplorável coma alcoólico. Outra, anuncia que menores são assassinados em creche. Outra, ainda, divulga que uma garotinha é estuprada por dois. Mais, uma, revela que agressão a uma menina leva a família a abandonar o lar. Mais adiante, informa que escola foi invadida e depredada por vândalos porque estava com o muro quebrado. Lá em frente, encontra-se aquela informando que de presídio traficante encomenda até mísseis. E lê-se também a apreensão pela polícia de 2,6 toneladas de maconha na região, enquanto aquela outra revela que o número de assassinatos cresceu 37% este ano, faltando pouco para 50...

E os informes ficariam por aí não tivessem, em outras páginas, mais alguns com o mesmo realce e a mesma gravidade social. Que retrato é esse, existente nas grandes cidades e, de contrapeso, nas pequenas e até pequeninas também? Como é que ele aparece, mostrando a realidade dos nossos dias, nos quais se avolumam e se diversificam não só assaltos, roubos e assassinatos em muitos lugares, sem que a repressão policial, que também aumenta, tenha a ventura de minimizá-los um pouco que seja? Nem, igualmente, logre desestimular o crime organizado, ao qual enfrenta com a força e as armas que possui e, defrontada pelos opositores, acaba forçada a chorar a perda de companheiros atingidos não por balas perdidas e, sim, por detonações com endereços certos? Lamenta-se profundamente assistir-se, na televisão, mães de policiais derramando lágrimas pelos filhos, estendidos nas calçadas das ruas e favelas, no fiel cumprimento de seus deveres profissionais, como se deplora, igualmente, tomar-se conhecimento de outras tantas violências que resultam em muitos mortos e feridos. Já perguntamos que maldades são essas, que diariamente sangram o coração das pessoas? E temos de perguntar, da mesma forma, quantos sacrifícios mais ainda virão para os seres, pacíficos por natureza, que trazem no rosto as marcas do medo e da ansiedade, saindo do lar para o trabalho ou o lazer e não tendo certeza de que voltarão incólumes para ganhar os beijos e abraços de seus familiares? A normalidade da vida destes tempos de violência e selvageria bem que poderia ser obtida unicamente com um simples aperto de botão, na campainha de cada um. Ocorre que não, conforme as circunstâncias o denunciam. E, então, o que se poderia fazer? É o que se pergunta, mais uma vez! E é a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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