Com o dólar beirando os três reais e o Risco-Brasil em alta, nós, pobres mortais, ficamos sem saber exatamente se tudo isto é, de fato, resultado do “lulômetro†ou somente da fúria desenfreada da especulação dos investidores, nacionais e estrangeiros.
O “lulômetroâ€, instrumento fictício criado por instituição financeira americana, registra o medo da comunidade internacional da ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva nos índices de aceitação das pesquisas eleitorais.
Tudo parece conspirar com a alternância de poder no maior país da América do Sul, no momento em que, apesar de seus ternos bem cortados e do discurso dirigido pelos marqueteiros, Lula ainda amedronta o grosso do empresariado conservador nacional e os organismos internacionais credores do Brasil.
A aliança com o Partido Liberal, muito mais de cúpula, do que de interação dos liberais nas suas bases regionais, abre uma nova faceta na esfacelada estrutura partidária brasileira, na qual as correntes internas das siglas se dilaceram, seja no PFL, no PMDB ou no próprio PT.
O PMDB, aproveitando a brecha pela escorregada do PFL, na defesa inicial da candidatura naufragada de Roseana Sarney, atirou-se no colo dos governistas, apoiando maciçamente o candidato do Planalto, José Serra, apesar dos estrilos de Itamar Franco e Roberto Requião.
Correndo por fora, Ciro Gomes agora investe na figura da sua namorada, Patrícia Pillar, para aparecer no horário eleitoral do PTB, burlando a legislação, ao mesmo tempo em que os seus percentuais estacionam em torno dos 11 ou 12%.
Anthony Garotinho ficou isolado com seu PSB ao ser confirmada a aliança do PT e do PL, podendo inclusive renunciar, se não criar nenhum “factóide†para impulsionar uma candidatura que não decola.
O eterno candidato “meu nome é Enéas†já desistiu, enquanto que José Serra está de “sangue doceâ€, pois se encontra em patamares parecidos com FHC em sua primeira eleição, com perspectivas de deslanchar a partir de agosto, ou mais adiante, no horário eleitoral.
Com todo este jogo de xadrez em marcha até outubro, os olhares se voltam para a agência Moody‘s, para o J. P. Morgan, que medem os humores do mercado internacional em relação aos papéis emitidos pelo Brasil.
Enquanto isto, o Banco Central e os especuladores se digladiam pela cotação do dólar. Este é o cenário que nos aguarda por todo o resto de inverno e início da primavera brasileira, torcendo para que, ao findar outubro, tenhamos um presidente com credibilidade e condições de gerir a Nação com a firmeza que se faz necessário neste momento difícil que atravessam as economias periféricas. (Vilson Antonio Romero é jornalista, auditor fiscal do INSS, diretor da Associação Gaúcha dos Fiscais da Previdência e conselheiro da Associação Riograndense de Imprensa. E-mail: romero@anfip.org.br)