Articulistas

Democracia elástica


| Tempo de leitura: 2 min

Vestiu-se, exatamente, como uma bem ajustada luva de pelica, a decisão da Justiça Eleitoral de diminuir algo a idade para os votantes das eleições gerais do País. Em consequência, já não precisam os jovens chegarem aos seus inspirados 18 anos para que possam engrossar as fileiras, há tempos existentes, dos que podem dirigir-se, nos dias de pleitos, às distantes seções eleitorais das respectivas cidades, pois os direitos, até agora deferidos somente a adultos, passam a sê-lo, em pé de absoluta igualdade, aos meninos e meninas, também, antes dos 18.

O que isso representa, a título de conquista democrática, para a poderosa juventude brasileira, consideramos desnecessário destacar, porquanto ele surge na paisagem como iniciativa que vem eliminar uma imperdoável discriminação, que exigia total abolição não era de hoje. E exigia porque é preciso reconhecer que a garotada deste grande país, seguindo o exemplo patriótico das congêneres de outras nações, principalmente européias, que acompanham pari passu a vida de suas estremecidas pátrias, absolutamente está por fora do panorama político-administrativo e social de seu queridíssimo Brasil. Na verdade, está é bem por dentro de tudo quanto ocorre por aqui, conforme testemunha em seus encontros comunitários e manifestações de suas escolas, inclusive primárias, e, portanto, demonstra-se muito atenta a todos os problemas que a estão desafiando aí diante dos olhares, ouvidos e pensamentos de seus excelsos predecessores. Afirma-se, por isso, ter essa faixa, a partir de 16 anos, muita consciência e acuidade política para poder entrar, com seu voto livre e desembaraçado, quanto à escolha dos executivos e legislativos patrícios, tanto presidente da República, parlamentares, governadores e prefeitos. Descobriram os jovens a importância de participar nos movimentos decisórios da Nação e, na ocasião oportuna, procuraram influenciar seus mandatários no sentido de lhes concederem esse direito ou, mais que tanto, o dever de figurar nas jogadas eleitorais que lhes eram até então sonegadas. Abriram-se-lhes, então, finalmente, as portas e as janelas da democracia e isso constitui um avanço elogiável, cujos reflexos, positivos, vão aparecer, nos pleitos que se aproximam, como uma forma de deter as pressões e repressões presentes em nossas estruturas políticas, as quais consubstanciam uma manipulação condenável, eis que subtraem a voz e a vez dos que já têm capacidade e descortínio para falar ao seu próximo, aplicando a força eleitoral que possuem no sentido de ajudar na constituição de um país mais justo e humano, a partir de uma governadoria correta e honesta. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários