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Paciente espera um ano por consulta

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A espera por uma consulta médica através do Sistema Único de Saúde (SUS) pode chegar a um ano, em Bauru. Apesar das queixas referentes ao atendimento básico, feito nos núcleos de saúde do Município, as principais reclamações têm como alvo as consultas com especialistas, como oftalmologistas, neurologistas e reumatologistas.

Só no mês de maio, houve uma demanda reprimida de cerca de 2.000 pacientes para consultas com médico oftalmologista, por exemplo.

Em Bauru, a prefeitura oferece à população o chamado atendimento básico. Nos núcleos de saúde, os pacientes são atendidos por ginecologistas, pediatras e clínicos gerais.

As consultas com outros especialistas são agendadas no Ambulatório de Especialidades, da Direção Regional de Saúde (DIR-10), através dos núcleos de saúde. De acordo Edna Rinaldi, assistente social da Secretaria Municipal de Saúde, a DIR-10 disponibiliza uma cota mensal insuficiente para atender à demanda municipal.

Para a especialidade neurologia - área em que as reclamações são freqüentes -, são oferecidas 400 vagas mensais para toda a rede municipal. O número supostamente deveria atender aos pacientes de todos os núcleos de Bauru. O mesmo acontece com a oftalmologia.

O sistema de agendamento é diferente para endocrinologia, otorrinolaringologia e dermatologia. Nestes casos, a DIR-10 oferece cotas de consultas para cada núcleo. Cada um tem direito a agendar para seus pacientes, em média, duas consultas mensais. O resultado é o aumento das filas de espera nos postos de saúde.

Prova disso é um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde que indica que, no mês de maio, o total de pacientes na fila de espera para oftalmologia foi de 2.419. Para neurologia, os usuários que aguardam por uma consulta totalizam 1.433 e, para otorrinolaringologia, 559.

Um funcionário da Secretaria Municipal de Saúde que não quis se identificar confirma que, atualmente, os principais problemas são com oftalmologia e neurologia. Os pacientes encaminhados têm que aguardar aproximadamente um ano, no primeiro caso, e seis meses, para a segunda especialidade.

â€œÉ difícil ver a pessoa precisando e ter que falar. Mas elas acabam aceitando. Não tem jeito”, lamenta.

Usuários

Simone Aparecida Pereira, 26 anos, moradora do Jardim Marília, é uma das pacientes que recentemente engrossaram a lista de mais de duas mil pessoas que aguardam por um médico oftalmologista. Ela conta que o problema de visão a incomoda bastante. “Me deram um papel e disseram que vou ter que esperar um ano”, reclama.

Moradora da Vila Garcia, Fátima Sueli de Oliveira, 29 anos, disse que desistiu de esperar por uma cirurgia para sua filha de 9 anos. Ela tentou durante três meses e sequer conseguiu agendar a consulta com o especialista.

“A gente chega lá e eles falam que tem que esperar mais um mês. Quando a gente volta, tem que esperar mais um mês de novo. Isso é uma vergonha! Meus filhos estão precisando fazer exame de sangue e de fezes, mas agora eu só levo em último caso, quando não tiver mais condições. Alguém precisa batalhar por nós”, diz.

Maria Lúcia Cipriano Moura também tem queixas quanto ao atendimento secundário pelo SUS. Sua filha de 16 anos tem uma hérnia e precisa de uma cirurgia. “Levei-a no Pronto-Socorro do Mary Dota e agendaram médico para o dia 1.º de julho e para ficar na fila de três anos para cirurgia”, reclama, cobrando providências do poder público.

Outra usuária do SUS que não quis se identificar disse que a sobrinha teve que esperar meses para ser atendida por um otorrinolaringologista. A demora acarretou graves problemas para a menina. “Ela teve que operar a garganta. O médico disse que se ela fosse atendida antes daria para resolver o problema sem operar”, conta.

Além disso, a usuária reclama do atendimento dispensado aos pacientes pelos funcionários públicos. “O pessoal da saúde tem que tratar os pacientes com carinho, com educação. Eles têm que saber receber os pacientes. Não sei se eles estão cansados ou se não são bem preparados para isso”, observa.

Para DIR, Hospital Regional atenderá demanda

O diretor técnico do Ambulatório de Especialidades da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Eldo Macedo Possas, acredita que os principais problemas do atendimento médico em Bauru serão solucionados com a inauguração do Hospital Regional de Bauru, prevista para até o final de setembro.

Segundo Possas, as especialidades em que há demanda reprimida são neurologia, endocrinologia e cirurgia geral. O Ambulatório de Especialidades conta apenas com um neurologista e um endocrinologista. O único reumatologista atende a demanda através do Hospital de Base. “Tem setores em que a coisa está bem feia”, diz.

Como o ambulatório está sem cardiologista, três médicos do Hospital de Base estão atendendo os pacientes do SUS e aparentemente suprindo a demanda.

Na área de oftalmologia, no entanto, ele afirma que não há problemas. Ele garante que sobram mensalmente de 70 a 80 consultas porque muitos pacientes não comparecem.

“Tem alguma coisa errada. Damos as consultas para a prefeitura, que distribui para os núcleos. Perdemos consultas por não comparecimento. Está havendo um mal uso das consultas que temos”, reforça.

Não há previsão de contratação de médicos para o ambulatório. Para Possas, os problemas serão amenizados com a inauguração do Hospital Regional, que deverá iniciar as atividades com neurologia, endocrinologia, reumatologia, cardiologia, pneumologia, gastroenterologia, cirurgias gástricas, vasculares e pediátricas.

“Quando o paciente realmente precisa, ele é encaixado quando alguém falta, mas tem que ficar esperando durante o dia”, expõe o diretor técnico.

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