A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) prendeu ontem em Bauru um casal procurado pela Interpol (Polícia Internacional) por golpes de estelionato e formação de quadrilha. Ruth Vacite, 62 anos, e Osvaldo Vacite, 65 anos, apresentavam-se como espiritualistas e ofereciam seus serviços, prometendo resolver problemas de toda ordem através de trabalhos espirituais.
Ruth, que usava o nome de Vovó Melenca, é acusada de chantagear e extorquir um de seus clientes. O cliente, cujo nome está sendo preservado pelo JC, não concordou em continuar os trabalhos espirituais e procurou a DIG/Garra.
A Polícia Civil descobriu que o casal chegou a Bauru há cerca de três meses e fez ampla divulgação dos trabalhos espirituais. Ruth e Osvaldo usaram outdoors, panfletos, cartazes, banners e anúncios em jornal para chamar a atenção da população.
O casal prometi fazer amarração amorosa e resolver problemas de todas as ordens. Diariamente, Vovó Melenca atendia uma média de 10 a 15 pessoas. O contato era feito por telefone. Cada um dos clientes foi uma vítima em potencial.
Pelo o que a Polícia Civil apurou, a escolha era feita pelo potencial financeiro do cliente. O delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia, calcula que cerca de 300 pessoas devem ter sido lesadas na cidade.
Para dar a impressão de que Vovó Melenca era uma bem-sucedida espiritualista, o casal alugou uma casa na quadra 14 da rua capitão Gomes Duarte, zona sul da cidade. No local, havia uma sala para consultas com inúmeros objetos religiosos e místicos. Era lá que Ruth atendia seus cliente, apresentava-se como professora aposentada e cigana.
Experiente no assunto, Vovó Melenca tinha um modo todo especial de operar. Tratava seus clientes muito bem até descobrir se eles tinham bens e podiam ser extorquidos, de acordo com a Polícia Civil. Já na primeira consulta levava o consulente a revelar seus problemas mais íntimos.
O primeiro levantamento era fator importante para continuar o acompanhamento espiritual do caso, segundo apurou Cardia. Ela prometia resolver o problema com trabalhos espirituais. O preço girava em torno de R$ 2 mil.
Depois do primeiro pagamento, ela é acusada de ameaçar revelar os segredos íntimos do cliente, caso ele não concordasse em continuar com os pagamentos. Um desses casos foi registrado na DIG/Garra, o que deu origem à investigação. Na falta do dinheiro, ela aceitava jóias e outros bens.
Ruth é acusada de fazer financiamento e empréstimos financeiros. Para isso teria usado falsos documentos para comprovar renda. Os casos serão investigados e apurados, promete o delegado.
Osvaldo Vacite circulava com um veículo Taurus e, segundo uma testemunha, na casa havia mais uma caminhonete e um carro de passeio, todos novos, usados pelos filhos do casal.
Dólares
De posse de uma autorização judicial, equipes da DIG/Garra cercaram a casa do casal Ruth e Osvaldo Vacite e fizeram uma busca minuciosa. Encontraram US$ 1.900,00, jóias, documentos que serão posteriormente investigados e muitos objetos místicos usados nos rituais.
A origem dos dólares, jóias e documentos será investigada pela polícia. O casal foi ouvido e por força de uma prisão temporária decretada pela Justiça da Comarca de Bauru, está recolhido na cadeia. A Interpol foi avisada da localização do casal e nos próximos dias deverá tomar as suas providências.
A polícia suspeita que o casal faça parte de uma quadrilha internacional de estelionatários, diz Cardia. “Eles tinham base em São Paulo, Rio e Porto Alegreâ€, diz.
Na região de Bauru pretendiam abrir consultórios espirituais nas cidades de Lençóis Paulista, São Manuel, Pederneiras, Macatuba e Marília. Os contatos, segundo a polícia, já estavam sendo feitos para locação de imóveis.