Turismo

Esconderijos ao Norte

Por Eliane Barbosa | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

De carro, numa linha reta (pela Rodovia AL-101), encontram-se uma a uma as entradas para lugarejos, quase esconderijos, que guardam não só a saída para o mar, mas pequenos universos de aparência simples. Com um olhar um pouco mais atento, boas histórias de um lado alagoano sem maquiagem para guardar na memória. Comece por Guaxuma, até por que é a primeira do percurso. O mar é perigoso, atenção. Uma dica se for hora do almoço: pare no Bar Brasil, onde toca blues e cujo dono se chama Bacana. O prato feito sai a R$ 3,00, com arroz, feijão, ovo, salada, frango, peixe ou carne. Depois vem Garça Torta, praia de mar mais bravo e areia fina. O acesso é por um beco que acaba no Bar do Titio. Uma estátua de sereia dá as boas-vindas aos visitantes. No Titio e nos quiosques vizinhos, há de peixe frito (R$ 7,00 a porção) a carne de sol (R$ 5,50 em média). Casas de causar inveja pela posição privilegiada se debruçam sobre a areia. A que foi do alagoano Djavan, porém, fica logo no começo da rua de terra que leva ao mar. Mas outra casa merece atenção. Fica do lado do Bar do Titio, na frente da igrejinha, não dá para não encontrá-la. De fachada tímida e dona respeitada na região, chama-se Casa da Arte. É habitada e dirigida por Edna Constant, de 68 anos, natural de Palmeiras dos Índios.

Pintar, encenar e cantar

O que Edna faz é reunir crianças e adolescentes das proximidades para ler, pintar, encenar, cantar, enfim, criar. O espaço, pequeno no tamanho, grande pelo que desenvolve, tem sala de leitura, de xilogravura, de exposição de origami, de quadros etc. - tudo feito pela garotada. São 70 cadastrados e o dobro disso de freqüentadores. Um cronograma seguido à risca (segunda, dia de música; terça, dança e canto; e por aí vai) se interrompe apenas para o lanche da criançada. A ajuda financeira vem de doações, e há uma parceria com professoras locais, que passam pela “reciclagem” da casa de dona Edna. Coordenar esse trabalho pode parecer cansativo, mas não para Edna. “Esse é meu plano de saúde”, diverte-se. Quem quiser visitar a casa será sempre bem-vindo. É só chegar. Hora de conhecer mais. Parta para a próxima praia, Riacho Doce. Diz-se que foi nela que José Lins do Rego se inspirou para escrever seu romance homônimo. Esse é um cantinho inexplorado, sem quiosques ou agitação, onde se contempla o desenrolar das redes de pesca dos nativos, praticamente os únicos a ficar entre os coqueiros, além de alguns galos, galinhas e pintinhos. Talvez você goste de saber que lá as jangadas estacionadas na areia servem de bom pano de fundo para fotos. E daí decida se fica no sossego ou se vai para dois points mais adiante, as Praias de Sonho Verde e Paripueira. Se seguir em frente, com sorte você encontra uma barraquinha, na beira da estrada, vendendo lagostins - seis (mais ou menos 1 quilo) por R$ 5,00. Antes de Sonho Verde, Ipioca é outra praia pouco explorada, com casas na beira-mar e perfeita para um mergulho. Já em Sonho Verde você perceberá que um condomínio de casas toma conta de boa parte do cenário. O resultado: restaurantes com esquema de serviço de garçom que vai até os guarda-sóis e cadeiras (alugadas pelo dia todo a R$ 1,00 cada). Some ainda som alto e ambulantes circulando entre a farta clientela. Um desses, Marcos Rebelo, oferece shiatsu de frente para o mar. Cobra a partir de R$ 20 por hora. Paripueira é vizinha, um nome conhecido por suas piscinas naturais. Nela e em Sonho Verde há núcleos de preservação do peixe-boi marinho.

Peixada há 45 anos

Durante a andança, segure sua fome para almoçar na cidade de Barra de Santo Antônio, pois lá está o Bar da Rita, que há 45 anos prepara sua famosa peixada. O bar/restaurante é parada de policiais, comerciantes e pessoas de passagem pela cidadezinha. Lotada de nativos que fazem as vezes de guias, a Barra recepciona o turista com uma perseguição bem-humorada desses “profissionais”. O motivo é a Ilha da Croa, maior atrativo do pedaço, mas não é preciso ajuda para andar por lá. Atravessando de balsa (R$ 6,00 o carro), chega-se a esse lugar que tem casas de pau-a-pique e, ao mesmo tempo, casas de veraneio com antena parabólica. O que vale é seguir numa estrada de terra batida até a última praia, a do Carro Quebrado, listada entre as mais bonitas do País. De tão deserta, na sua ponta mais extrema faz-se nudismo. Barraquinhas de sapê com vista para o mar aberto oferecem no cardápio bolinho de macaxeira com recheio de camarão como a da dona Xoxa. Entre aperitivos típicos e cervejinhas, um artesão se aproxima. Os anéis, braceletes e brincos que faz vêm de latas de refrigerante. As peças são pintadas com o auxílio e a delicadeza de um alfinete, impressionante. Uma forma de arte comum na região.

Serviço:

TAM, Varig e Vasp voam diariamente para Alagoas.

Há também vôos fretados através de operadoras de turismo. Uma semana de hospedagem em Alagoas, pela TAM Turismo, com transporte aéreo incluído (saindo de Bauru), custa a partir de R$ 1.200,00. Informações: (14) 224-2655.

Consulte seu agente de viagens.

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